Um roteiro que mudou a forma de se escrever filmes em Hollywood.
JULES
Ok, e então, me fale dos bares de maconha?
VINCENT
Ok. O que você quer saber?
JULES
Bem, baseado é permitido lá, certo?
VINCENT
Sim, é permitido, mas não é 100% legal. Quero dizer, você não pode entrar num restaurante, enrolar a erva, e começar a fumar sua porra. Você supostamente só pode fumar na sua casa ou em certos lugares designados.
JULES
Esses são os bares de maconha?
VINCENT
Sim, funciona assim, ok: é legal comprar, é legal você possuir, se você for o dono do bar de maconha, é permitido vender. É permitido carregar consigo, o que não importa de qualquer maneira, porque – presta atenção nisso, se um policial parar você, é ilegal ele te revistar. Baculejar você é um direito que a policia de Amsterdam não tem.
JULES
Oh man, eu vou lá, é só o que tenho que fazer. Puta que pariu que vou.
VINCENT (rindo)
Você tem que ir! Mas sabe o que é mais curioso sobre a Europa?
JULES
O que?
VINCENT
São as pequenas diferenças. Muitas coisas que a gente tem aqui, eles tem lá, mas lá são um pouquinho diferente.
JULES
Exemplo?
VINCENT
Bem, em Amsterdam, você pode comprar uma cerveja no cinema. E eu não to falando de copos de plásticos, estou falando de copos de vidro. Em Paris, você pode pedir uma cerva no MacDonald’s. Você sabe como eles chamam o Quarterião com Queijo em Paris?
JULES
Eles não chamam de Quarteirão com Queijo?
VINCENT
Não, por causa do sistema métrico deles, eles não sabem que porra é quarteirão.
JULES
Como eles chamam?
VINCENT
Eles chamam de Royale with Cheese.
JULES (repetindo)
Royale with Cheese. Como eles chamam o Big Mac?
VINCENT
Big Mac é Big Mac, mas eles afrescuram para Le Big Mac.
JULES
Le Big Mac. (risada) Como eles chamam o Whopper?
VINCENT
Não sei, não fui no Burger King. Mas você sabe o que eles põem nas batatas fritas na Holanda em vez do ketchup?
JULES
O que?
VINCENT
Maionese.
JULES
Minha nossa!
VINCENT (rindo)
É sério, eu vi. E não falo de um tiquinho no cantinho do prato, eles afogam a porra da batatinha naquela merda.
JULES
Uuccch!
Quentin Jerome Tarantino (Knoxville, 27 de março de 1963) é um diretor, ator e roteirista de cinema dos Estados Unidos da América. Ele alcançou a fama rapidamente no início da década de 1990 por seus roteiros não-lineares, diálogos memoráveis e o uso de violência que trouxeram uma vida nova ao padrão de filmes norte-americanos.
Ele é o mais famoso dos jovens diretores por trás da revolução de filmes independentes dos anos 90, tornando-se conhecido pela sua verborragia, seu conhecimento enciclopédico de filmes, tanto populares, quanto os considerados “cinema de arte”.

Fatos Biograficos
Tarantino nasceu no Tennessee. Seus pais eram Tony Tarantino, ator e músico de ascendência italiana, e Connie McHugh, descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino mais tarde viria a formar fortes laços afetivos.
Tarantino iniciou seus estudos na região de San Gabriel Valley, em 1968. Em 1971, sua família mudou-se para El Segundo, ao sul de Los Angeles, onde passou a freqüentar a Hawthorne Christian School. Ao sair da Narbonne High School, em Harbor City, Califórnia, aos 16 anos, iniciou os estudos em atuação na James Best Theatre Company.
Aos 22 anos escreveu seu primeiro roteiro, Captain Peachfuzz and the Anchovy Bandit. Em 1984, Tarantino começou a trabalhar como balconista na Video Archives, uma famosa locadora de filmes em Manhattan Beach; lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega de trabalho com quem mais tarde viria a colaborar em Pulp Fiction. Ele continuou seus estudos em atuação na Allen Garfield’s Actors’ Shelter, em Beverly Hills, mas passou a se dedicar principalmente a escrever roteiros.
A venda de True Romance, lançado em 1993, o tirou do anonimato. Ele conheceu Lawrence Bender numa festa em Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a escrever um filme. O produto final dessa conversa foi Reservoir Dogs/Cães de Aluguel (1992), um filme inteligente, estiloso e violento, que definiu o tom de seus filmes seguintes. O script foi lido pelo diretor Monte Hellman, que ajudou a levantar fundos junto à Live Entertainment, bem como garantir o lugar de Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel ouviu falar do roteiro através de sua esposa, que foi colega de Lawrence Bender. Ele leu o roteiro e também contribuiu com investimentos, assumiu o papel de produtor executivo, e um personagem no filme.
Quentin Tarantino e George Clooney são os irmãos Gecko em From Dusk Till Dawn/Um drink no inferno (1996). Seguindo o sucesso de Cães de Aluguel, Tarantino foi abordado por Hollywood e recebeu propostas para dirigir vários projetos, incluindo Velocidade Máxima e Homens de Preto. Em vez disso, ele se recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu roteiro para Pulp Fiction. Quando foi finalmente lançado, o filme ganhou a Palme d’Or (Palma de Ouro) no Festival de Cannes de 1994 e, junto com Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderbergh e Roger e eu, de Michael Moore, revolucionou a indústria de filmes independentes, mostrando que estes filmes também são rentáveis. Pulp Fiction é um filme de roteiro complexo e inteligente, com enfoque bastante violento. O filme ficou conhecido pelas aclamadas atuações de seu elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira de John Travolta. Pulp Fiction também rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de Melhor Roteiro Original, além da indicação na categoria de Melhor Filme.
Depois de Pulp Fiction, ele dirigiu o quarto episódio da série Four Rooms, The Man from Hollywood, um remake de um espisódio de Alfred Hitchcock Presents estrelado por Steve McQueen. Four Rooms é uma colaboração entre Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e o próprio Tarantino.
O filme seguinte de Tarantino foi Jackie Brown (1997), uma adaptação de Rum Punch, um romance de seu mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao gênero blaxploitation, foi estrelado por Pam Grier, que trabalhou em diversos filmes do gênero nos anos 70. Tarantino decidiu, então, produzir o filme Inglorious Bastards. No entanto, ele adiou o projeto para escrever e dirigir Kill Bill, lançado em duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme estiloso, com temática de vingança, filmado com a influência do Wuxia (filmes chineses de artes marciais), filmes japoneses, filmes de faroeste e filmes de terror italianos ou giallo. O filme é baseado numa personagem chamada A Noiva, que Tarantino criou conjuntamente com a atriz principal deste filme, Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction.
Em 2004, Tarantino voltou a Cannes no papel de presidente do júri. Kill Bill não estava concorrendo, mas foi exibido na noite de encerramento, na sua versão original, com mais de três horas de duração. Enquanto desempenhava a função de presidente, a Palme d’Or foi para o filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, desconsiderando a insistência de Tarantino em que o prêmio deveria ir para o filme Oldboy.
Tarantino foi creditado como “diretor convidado especial” por dirigir a seqüência do carro entre Clive Owen e Benicio Del Toro do sucesso neo-noir Sin City.
Em 24 de fevereiro de 2005, foi anunciado que Tarantino dirigiria o episódio final da série CSI. O episódio de duas horas, Grave Danger, foi ao ar em 19 de maio, com audiência recorde e sucesso nas críticas.
Apesar de Tarantino ser mais conhecido por seu trabalho atrás das câmeras, ele também apareceu na primeira e na terceira temporadas da série de televisão Alias.
Em 2005, anunciou que seu atual projeto chama-se Grind House, que ele está co-dirigindo com Robert Rodriguez. Ele também anunciou que “provavelmente” dará continuidade a Inglorious Bastards depois deste projeto, mas que precisaria de cerca de um ano trabalhando no roteiro antes de filmar.
Entre seus recentes créditos como produtor, estão o filme de terror O Albergue, que inclui referências a Pulp Fiction; a adaptação de Killshot, de Elmore Leonard; e Hell Ride escrito e dirigido pela estrela de Kill Bill, Larry Bishop.
Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes, incluindo Tim Roth (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Four Rooms), Harvey Keitel (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn), Uma Thurman (Pulp Fiction, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2), Michael Madsen (Reservoir Dogs, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2, Sin City), Steve Buscemi (Reservoir Dogs, Pulp Fiction), Bruce Willis (Pulp Fiction, Four Rooms, Sin City, Grindhouse) e Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Vol. 2).
Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua “musa”. Entretanto, Tarantino nunca se casou e não tem filhos.
Estética
Os filmes de Tarantino são conhecidos por seus diálogos afiados, cronologia fragmentada e sua obsessão pela cultura pop. Comumente, são vistos como graficamente violentos e, em seus filmes Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill, há uma enorme quantidade de sangue jorrando.
Marcas fictícias como os cigarros ”Red Apple” e a lanchonete “Big Kahuna Burgers”, de Pulp Fiction, apareceram depois em vários filmes, como Four Rooms, Um drink no inferno e Kill Bill. O diretor também é conhecido por gostar de cereais matinais, que aparecem constantemente em seus filmes, com marcas como “Fruit Brute” em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e “Kaboom” em Kill Bill.
Outra caracteristica refere-se as cenas de diálogos em que a camera se localiza dentro do porta-malas de um carro.
Mundo Paralelo
Através dos roteiros de Quentin Tarantino é possivel notar que as histórias se passam num mundo paralelo e que os personagens de seus filmes possuem elos entre si. Um exemplo disso são os irmãos Vega, Vicent Vega aparece em Pulp Fiction, já seu irmão Vic Vega é presente em Cães de Aluguel.
Fãs mais fervorosos criam teorias a respeito de outros personagens, como é o caso de Rufus em Kill Bill vol.2 (Samuel L. Jackson) que consideram ser Jules Winnfield (também interpretado por Samuel L. Jackson) de Pulp Fiction, porém vivendo uma nova vida, com outro nome, em El Paso.
Influencias
Tarantino ficou conhecido como cineasta por seu conhecimento enciclopédico de filmes, críticas de cinema e história do cinema. Particularmente, ele tem um vasto conhecimento de filmes estrangeiros, filmes de gênero e filmes pouco conhecidos. Ele se declara um fã de filmes de ação de Hong Kong, filmes de faroeste, filmes de terror italianos, filmes da nouvelle vague francesa, e cinema britânico. Sua paixão por estes estilos de cinema se reflete em seus trabalhos — todos os seus filmes fazem referências a outros filmes ou gêneros diferentes de cinema, em seu estilo, histórias ou diálogos. Certa vez, ele resumiu tudo isso dizendo “Eu nunca freqüentei a escola de cinema. Eu freqüentei o cinema”.
Na eleição de 2002 do Sight and Sound Directors, Tarantino revelou sua lista de doze melhores filmes de todos os tempos:
- The Good, the Bad and the Ugly
- Rio Bravo
- Taxi Driver
- His Girl Friday
- Rolling Thunder
- They All Laughed
- The Great Escape
- Carrie
- Coffy
- Dazed and Confused
- Five Fingers of Death
- Hi Diddle Diddle
Uma lista anterior dos melhores filmes de Tarantino também incluía Blow Out; One-Eyed Jacks; Per qualche dollaro in più; Bande à part; Breathless, a refilmagem de Acossado de Goddard; Le Doulos, They Live by Night e The Long Goodbye.[carece de fontes?]
Tarantino também cita Taxi Driver e Mean Streets, de Martin Scorsese, bem como Dawn of the Dead, de George A. Romero, como fortes influências.
Criticas
Tarantino vem sendo criticado pelo uso de temáticas racistas em seus filmes, especialmente a palavra nigger (negro) em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, principalmente pelo cineasta negro Spike Lee. Numa entrevista à revista Variety, Lee disse: “Eu não sou contra o termo… e eu o uso, mas Tarantino é obcecado pela palavra. O que ele quer? Ser considerado um negro honorário?”
Um exemplo bastante citado é uma cena de Pulp Fiction, na qual o personagem Jimmie Dimmick, representado pelo próprio Tarantino, recrimina o personagem de Samuel L. Jackson, Jules Winnfield, por usar sua casa como um “depósito de negros mortos”, seguido por um discurso no qual ele utiliza a palavra exaustivamente. Lee faz uma referência direta a este fato em seu filme Bamboozled, quando o personagem Thomas Dunwitty diz: “Por favor, não se ofenda por eu falar a palavra “nigger”. Eu tenho uma esposa negra e três filhos mestiços, então eu acho que tenho o direito de usar essa palavra. Eu não ligo pra o que Spike diz. Tarantino está certo. “Nigger” é apenas uma palavra.”
Tarantino se defende afirmando que o público negro aprecia seus filmes, e que Jackie Brown, outro exemplo bastante citado, foi feito principalmente para audiências negras: “Para mim, este é um filme de negros. Foi feito para o público negro, inclusive”.
Tarantino também é criticado por plagiar idéias, cenas e até diálogos de outros filmes. Por exemplo, a idéia geral do roteiro de Cães de Aluguel parece ter sido tirada do filme City of Fire, de Ringo Lam, e The Killing, de Stanley Kubrick, enquanto a idéia de criminosos nomeados por cores tenha sido retirada de The Taking of Pelham One Two Three. A versão de Don Siegel de The Killers influenciou as seqüências de abertura e encerramento de Pulp Fiction, e a cena da injeção de adrenalina lembra bastante uma história contada por Scorsese no documentário American Boy: A Profile of: Steven Prince. Além disso, a história de True Romance é praticamente a mesma de Badlands, de Terrence Malick.
Alguns dos diálogos de Tarantino, como o famoso discurso bíblico de Samuel Jackson em Pulp Fiction, foram trazidos de outros filmes. Por exemplo, em Karate Kiba (Combate Mortal, no Brasil), filme japonês da década de 1970 estrelado por Sonny Chiba (que mais faria uma ponta em Kill Bill como Hattori Hanzo), possui no texto introdutório da película o mesmo versículo recitado pelo personagem de Jackson.
Filmografia
- Como diretor
- 1987 – My Best Friend’s Birthday
- 1992 – Cães de aluguel
- 1994 – Pulp Fiction – Tempo de violência
- 1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)
- 1997 – Jackie Brown
- 2003 – Kill Bill: Volume 1
- 2004 – Kill Bill: Volume 2
- 2005 – CSI: Perigo a Sete Palmos (episódio final da série CSI)
- 2005 – Sin City – A cidade do pecado (diretor convidado)
- 2007 – À Prova de Morte
- 2009 – Bastardos Inglórios
- 2014 – Kill Bill 3 (anunciado no dia 16 de Outubro de 2009)
- Como roteirista
- 1987 – My Best Friend’s Birthday
- 1992 – Cães de aluguel
- 1993 – Amor à queima-roupa
- 1994 – Assassinos por natureza
- 1994 – Pulp Fiction – Tempo de Violência
- 1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)
- 1995 – Dance Me to the End of Love
- 1996 – Um Drink no Inferno
- 1996 – Eles Matam e nós Limpamos
- 1997 – Jackie Brown
- 2003 – Kill Bill: Volume 1
- 2004 – Kill Bill: Volume 2
- 2007 – À Prova de Morte
- 2009 – Bastardos Inglórios
- Como ator
- 1987 – My Best Friend’s Birthday…. Clarence Pool
- 1992 – Eddie Presley…. atendente do asilo
- 1992 – Cães de aluguel…. Mr. Brown
- 1994 – The Coriolis Effect (voz)…. Panhandle Slim
- 1994 – Pulp Fiction – Tempo de violência…. Jimmie Dimmick
- 1994 – Sleep With Me…. Sid
- 1994 – Somebody to Love…. bartender
- 1995 – Destiny Turns On the Radio…. Johnny Destiny
- 1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)…. Chester
- 1995 – A Balada do Pistoleiro…. rapaz na pick-up
- 1995 – Dance Me to the End of Love…. noivo
- 1996 – Um Drink no Inferno…. Richard Gecko
- 1996 – Girl 6…. Q.T
- 1997 – Jackie Brown (voz – não creditado)…. voz da secretária eletrônica
- 2000 – Little Nicky, um diabo diferente…. diácono
- 2001 – Alias (série de TV)…. McKenas Cole
- 2007 – Planeta Terror
- 2007 – À Prova de Morte
- Como produtor
- 1987 – My Best Friend’s Birthday
- 1992 – Past Midnight
- 1994 – Killing Zoe
- 1995 – Grande Hotel
- 1996 – Um Drink no Inferno
- 1996 – Eles Matam e nós Limpamos
- 1998 – God Said, ‘Ha!’
- 1999 – Um Drink no Inferno 2 – Texas Sangrento
- 2000 – Um Drink no Inferno 3 – A Filha do Carrasco
- 2003 – My Name Is Modesty: A Modesty Blaise Adventure
- 2005 – O albergue (produtor executivo)
- 2005 – Daltry Calhoun
- 2006 – Freedom’s Fury
- 2007 – Planeta Terror
- 2007 – À Prova de Morte
- 2007 – O Albergue 2 (completo)
- 2007 – Killshot (completo)
- 2008 – Hell Ride (em pré-produção)
- 2009 – Bastardos Inglórios
Curiosidades
Curte dançar que nem John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction”? Uma mulher vestida com um macacão amarelo é seu fetiche? Procura o significado da música “Like a Virgin”? Deixou de ler histórias do Super-Homem depois que assistiu a “Kill Bill – Volume 2”? Então considere-se um fã do cinema de Quentin Tarantino. Mas você sabe tudo sobre a carreira desse diretor?
Se a resposta for não, então, take it easy, porque o A02 mostra pra você as maiores curiosidades dos filmes e da carreira desse cara. Como diria NanyB, “segue o passo”.
- Diga o nome Oliver Stone (“The Doors”, “JFK”) na frente de Quentin Tarantino e você vai vê-lo ficar furioso. Tudo porque o seu roteiro para “Assassinos por Natureza” não tem nada a ver com o filme homônimo dirigido por Stone. Segundo Tarantino, toda a obra, do começo ao fim, foi alterado sem sua autorização.
- O trecho da Bíblia (“Ezequiel 25:17”) que Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) diz sempre que vai dar uma lição de moral em “Pulp Fiction” na verdade não existe. Este texto é uma coletânea de vários versículos do livro.
- Tarantino foi presidente do júri do Festival de Cannes de 2004. No mesmo ano, “Kill Bill” foi exibido no festival francês, direto e sem cortes. Foram mais de três horas de sangue jorrando na tela.
- A divisão em dois volumes de “Kill Bill” teve uma razão: O “Volume 1” é mais visual (e sangrento), enquanto o “Volume 2” foi todo concentrado em diálogos (mas não deixou de ser sangrento).
- Além de ter salvo a carreira de John Travolta, Tarantino só incluiu a cena de dança em “Pulp Fiction” após o ator ter aceito o papel.
- “Bastardos Inglórios” é o primeiro filme de Tarantino em um grande estúdio (a Universal Pictures) e também é o primeiro a não ter um ator decadente no elenco (tudo bem que Mike Myers não está nos melhores dias depois do sofrível “Guru do Amor”, mas não chega a ser considerado decadente).
- Em “Sin City”, Tarantino aceitou o convite de Robert Rodriguez e dirigiu uma sequência da adaptação da grafic novel de Frank Miller. Mais exatamente, a cena em que Clive Owen conversa com o “morto” Benício Del Toro dentro do carro. Tarantino para esta participação cobrou o valor simbólico de 1 dólar, que foi uma retribuição camarada para Rodriguez, que compôs a trilha sonora de “Kill Bill” e cobrou o mesmo valor pelo trabalho.
- As trilhas sonoras de seus filmes sempre têm diálogos inseridos entre uma faixa e outra.
- Em 2005, o diretor dirigiu o último episódio da temporada de “CSI”. O programa foi recorde de audiência.
- Todos seus filmes têm ligações:
Vic Vega (Michael Madsen), de “Cães de Aluguel”, é irmão de Vicent Vega (John Travolta), de “Pulp Fiction”;
O restaurante Jack Rabbit Slims, de “Pulp Fiction”, é citado em “Jack Brown” e “Kill Bill”;
Em “Pulp Fiction”, Mia Wallace (Uma Thurman), conta que gravou um piloto de uma série que não deu certo. Essa série contaria a história de três mulheres que trabalhavam como assassinas profissionais para um homem misterioso. Em “Kill Bill”, A Noiva fazia parte de um grupo de mulheres homicidas comandadas por Bill.


Algumas recorrências estão nessa argila em modelagem. Como a atenção ao universo intimista dos personagens. Uma opção que traz ao conteúdo dramatúrgico dos filmes algumas questões relacionadas à contemporaneidade, como a fugacidade da experiência humana (a bela seqüência da danceteria de Alguma Coisa Assim – foto no topo da página), a incomunicabilidade entre sexos (no mesmo filme) ou a presença tecnológica (que ganha funções “orgânicas” em Vibracall, em que duas garotas reutilizam o celular como um discretíssimo vibrador em sala de aula – foto acima).
Um jovem cineasta tateando procedimentos para seu cinema narrativo? Talvez, mas não podemos deixar de lado algo que o próprio disse sobre seu projeto de cinema em
O filme de 2006 tem a melhor seqüência filmada por Esmir Filho até esse momento: a da danceteria. Um momento sublime, indicador do norte para o qual Esmir Filho pode apontar seu cinema. Aqui, os dois amigos, Caio e Mari, vão à pista acompanhados por uma câmera que, diferentemente dos tableau de outrora, está junto a eles, ora chicoteando com a montagem sintonizada com a pulsação sonora, ora observando a errância de Mari naquele lugar e captando o semblante frustrado da mesma quando ela, apaixonada, vê o amigo gay Caio beijando outro cara. Temos, aqui, um parentesco distante com o cinema asiático, um tanto da disco que Beto Brant filmou em O Invasor, mais um pouco do eficiente padrão nightclub dos filmes americanos. Eles saem da discoteque e Esmir enfatiza o que estava óbvio minuto atrás: que Mari gosta de Caio. Haverá uma longa seqüência num supermercado (acima), com forte marcação, vários planos do rosto de Mari frustrada e derretida e um blablablá sem fim que reescreve aquilo que já estava traçado desde a primeira (também boa) seqüência do filme, quando ambos correm pelas ruas por entre os carros e rasgando a calçada na correria. O que segura o filme até o final é a presença da solar Caroline Abras.
Em Saliva não é muito diferente. O começo parece uma (boa) videoarte, meio um filme de Arthur Omar, com câmera colada na pele da garota de 12 anos, que tateia o espelho embaçado e deixa sua saliva nele. Aqui está um diretor manipulador da imagem, criando texturas e dando, efetivamente, algo acqua, refrescante, por via da luz, coisas mostradas. Saberemos, a seguir, graças a uma série de diálogo tanto canhestros, que ela dará seu primeiro beijo de língua num menininho de sua idade. O filme alternará imagens pretéritas dela com a amiga mais velha ensinando-a como beijar e sua ida, titubeante (ela tem nojo, o filme não cansa de mostrar e fazer ouvir). Chegando o momento, há um oceano de imagens redundantes que metaforizam o primeiro encontro de lábios da pequena.





