Category: Homenagem ao Diretor


Um roteiro que mudou a forma de se escrever filmes em Hollywood.

JULES
Ok, e então, me fale dos bares de maconha?
VINCENT
Ok. O que você quer saber?
JULES
Bem, baseado é permitido lá, certo?
VINCENT
Sim, é permitido, mas não é 100% legal. Quero dizer, você não pode entrar num restaurante, enrolar a erva, e começar a fumar sua porra. Você supostamente só pode fumar na sua casa ou em certos lugares designados.
JULES
Esses são os bares de maconha?
VINCENT
Sim, funciona assim, ok: é legal comprar, é legal você possuir, se você for o dono do bar de maconha, é permitido vender. É permitido carregar consigo, o que não importa de qualquer maneira, porque – presta atenção nisso, se um policial parar você, é ilegal ele te revistar. Baculejar você é um direito que a policia de Amsterdam não tem.
JULES
Oh man, eu vou lá, é só o que tenho que fazer. Puta que pariu que vou.
VINCENT (rindo)
Você tem que ir! Mas sabe o que é mais curioso sobre a Europa?
JULES
O que?
VINCENT
São as pequenas diferenças. Muitas coisas que a gente tem aqui, eles tem lá, mas lá são um pouquinho diferente.
JULES
Exemplo?
VINCENT
Bem, em Amsterdam, você pode comprar uma cerveja no cinema. E eu não to falando de copos de plásticos, estou falando de copos de vidro. Em Paris, você pode pedir uma cerva no MacDonald’s. Você sabe como eles chamam o Quarterião com Queijo em Paris?
JULES
Eles não chamam de Quarteirão com Queijo?
VINCENT
Não, por causa do sistema métrico deles, eles não sabem que porra é quarteirão.
JULES
Como eles chamam?
VINCENT
Eles chamam de Royale with Cheese.
JULES (repetindo)
Royale with Cheese. Como eles chamam o Big Mac?
VINCENT
Big Mac é Big Mac, mas eles afrescuram para Le Big Mac.
JULES
Le Big Mac. (risada) Como eles chamam o Whopper?
VINCENT
Não sei, não fui no Burger King. Mas você sabe o que eles põem nas batatas fritas na Holanda em vez do ketchup?
JULES
O que?
VINCENT
Maionese.
JULES
Minha nossa!
VINCENT (rindo)
É sério, eu vi. E não falo de um tiquinho no cantinho do prato, eles afogam a porra da batatinha naquela merda.
JULES

Uuccch!

Quentin Jerome Tarantino (Knoxville, 27 de março de 1963) é um diretor, ator e roteirista de cinema dos Estados Unidos da América. Ele alcançou a fama rapidamente no início da década de 1990 por seus roteiros não-lineares, diálogos memoráveis e o uso de violência que trouxeram uma vida nova ao padrão de filmes norte-americanos.

Ele é o mais famoso dos jovens diretores por trás da revolução de filmes independentes dos anos 90, tornando-se conhecido pela sua verborragia, seu conhecimento enciclopédico de filmes, tanto populares, quanto os considerados “cinema de arte”.

Fatos Biograficos

Tarantino nasceu no Tennessee. Seus pais eram Tony Tarantino, ator e músico de ascendência italiana, e Connie McHugh, descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino mais tarde viria a formar fortes laços afetivos.

Tarantino iniciou seus estudos na região de San Gabriel Valley, em 1968. Em 1971, sua família mudou-se para El Segundo, ao sul de Los Angeles, onde passou a freqüentar a Hawthorne Christian School. Ao sair da Narbonne High School, em Harbor City, Califórnia, aos 16 anos, iniciou os estudos em atuação na James Best Theatre Company.

Aos 22 anos escreveu seu primeiro roteiro, Captain Peachfuzz and the Anchovy Bandit. Em 1984, Tarantino começou a trabalhar como balconista na Video Archives, uma famosa locadora de filmes em Manhattan Beach; lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega de trabalho com quem mais tarde viria a colaborar em Pulp Fiction. Ele continuou seus estudos em atuação na Allen Garfield’s Actors’ Shelter, em Beverly Hills, mas passou a se dedicar principalmente a escrever roteiros.

A venda de True Romance, lançado em 1993, o tirou do anonimato. Ele conheceu Lawrence Bender numa festa em Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a escrever um filme. O produto final dessa conversa foi Reservoir Dogs/Cães de Aluguel (1992), um filme inteligente, estiloso e violento, que definiu o tom de seus filmes seguintes. O script foi lido pelo diretor Monte Hellman, que ajudou a levantar fundos junto à Live Entertainment, bem como garantir o lugar de Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel ouviu falar do roteiro através de sua esposa, que foi colega de Lawrence Bender. Ele leu o roteiro e também contribuiu com investimentos, assumiu o papel de produtor executivo, e um personagem no filme.

Quentin Tarantino e George Clooney são os irmãos Gecko em From Dusk Till Dawn/Um drink no inferno (1996). Seguindo o sucesso de Cães de Aluguel, Tarantino foi abordado por Hollywood e recebeu propostas para dirigir vários projetos, incluindo Velocidade Máxima e Homens de Preto. Em vez disso, ele se recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu roteiro para Pulp Fiction. Quando foi finalmente lançado, o filme ganhou a Palme d’Or (Palma de Ouro) no Festival de Cannes de 1994 e, junto com Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderbergh e Roger e eu, de Michael Moore, revolucionou a indústria de filmes independentes, mostrando que estes filmes também são rentáveis. Pulp Fiction é um filme de roteiro complexo e inteligente, com enfoque bastante violento. O filme ficou conhecido pelas aclamadas atuações de seu elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira de John Travolta. Pulp Fiction também rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de Melhor Roteiro Original, além da indicação na categoria de Melhor Filme.

Depois de Pulp Fiction, ele dirigiu o quarto episódio da série Four Rooms, The Man from Hollywood, um remake de um espisódio de Alfred Hitchcock Presents estrelado por Steve McQueen. Four Rooms é uma colaboração entre Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e o próprio Tarantino.

O filme seguinte de Tarantino foi Jackie Brown (1997), uma adaptação de Rum Punch, um romance de seu mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao gênero blaxploitation, foi estrelado por Pam Grier, que trabalhou em diversos filmes do gênero nos anos 70. Tarantino decidiu, então, produzir o filme Inglorious Bastards. No entanto, ele adiou o projeto para escrever e dirigir Kill Bill, lançado em duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme estiloso, com temática de vingança, filmado com a influência do Wuxia (filmes chineses de artes marciais), filmes japoneses, filmes de faroeste e filmes de terror italianos ou giallo. O filme é baseado numa personagem chamada A Noiva, que Tarantino criou conjuntamente com a atriz principal deste filme, Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction.

Em 2004, Tarantino voltou a Cannes no papel de presidente do júri. Kill Bill não estava concorrendo, mas foi exibido na noite de encerramento, na sua versão original, com mais de três horas de duração. Enquanto desempenhava a função de presidente, a Palme d’Or foi para o filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, desconsiderando a insistência de Tarantino em que o prêmio deveria ir para o filme Oldboy.

Tarantino foi creditado como “diretor convidado especial” por dirigir a seqüência do carro entre Clive Owen e Benicio Del Toro do sucesso neo-noir Sin City.

Em 24 de fevereiro de 2005, foi anunciado que Tarantino dirigiria o episódio final da série CSI. O episódio de duas horas, Grave Danger, foi ao ar em 19 de maio, com audiência recorde e sucesso nas críticas.

Apesar de Tarantino ser mais conhecido por seu trabalho atrás das câmeras, ele também apareceu na primeira e na terceira temporadas da série de televisão Alias.

Em 2005, anunciou que seu atual projeto chama-se Grind House, que ele está co-dirigindo com Robert Rodriguez. Ele também anunciou que “provavelmente” dará continuidade a Inglorious Bastards depois deste projeto, mas que precisaria de cerca de um ano trabalhando no roteiro antes de filmar.

Entre seus recentes créditos como produtor, estão o filme de terror O Albergue, que inclui referências a Pulp Fiction; a adaptação de Killshot, de Elmore Leonard; e Hell Ride escrito e dirigido pela estrela de Kill Bill, Larry Bishop.

Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes, incluindo Tim Roth (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Four Rooms), Harvey Keitel (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn), Uma Thurman (Pulp Fiction, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2), Michael Madsen (Reservoir Dogs, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2, Sin City), Steve Buscemi (Reservoir Dogs, Pulp Fiction), Bruce Willis (Pulp Fiction, Four Rooms, Sin City, Grindhouse) e Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Vol. 2).

Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua “musa”. Entretanto, Tarantino nunca se casou e não tem filhos.

Estética

Os filmes de Tarantino são conhecidos por seus diálogos afiados, cronologia fragmentada e sua obsessão pela cultura pop. Comumente, são vistos como graficamente violentos e, em seus filmes Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill, há uma enorme quantidade de sangue jorrando.

Marcas fictícias como os cigarros ”Red Apple” e a lanchonete “Big Kahuna Burgers”, de Pulp Fiction, apareceram depois em vários filmes, como Four Rooms, Um drink no inferno e Kill Bill. O diretor também é conhecido por gostar de cereais matinais, que aparecem constantemente em seus filmes, com marcas como “Fruit Brute” em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e “Kaboom” em Kill Bill.

Outra caracteristica refere-se as cenas de diálogos em que a camera se localiza dentro do porta-malas de um carro.

Mundo Paralelo

Através dos roteiros de Quentin Tarantino é possivel notar que as histórias se passam num mundo paralelo e que os personagens de seus filmes possuem elos entre si. Um exemplo disso são os irmãos Vega, Vicent Vega aparece em Pulp Fiction, já seu irmão Vic Vega é presente em Cães de Aluguel.

Fãs mais fervorosos criam teorias a respeito de outros personagens, como é o caso de Rufus em Kill Bill vol.2 (Samuel L. Jackson) que consideram ser Jules Winnfield (também interpretado por Samuel L. Jackson) de Pulp Fiction, porém vivendo uma nova vida, com outro nome, em El Paso.

Influencias

Tarantino ficou conhecido como cineasta por seu conhecimento enciclopédico de filmes, críticas de cinema e história do cinema. Particularmente, ele tem um vasto conhecimento de filmes estrangeiros, filmes de gênero e filmes pouco conhecidos. Ele se declara um fã de filmes de ação de Hong Kong, filmes de faroeste, filmes de terror italianos, filmes da nouvelle vague francesa, e cinema britânico. Sua paixão por estes estilos de cinema se reflete em seus trabalhos — todos os seus filmes fazem referências a outros filmes ou gêneros diferentes de cinema, em seu estilo, histórias ou diálogos. Certa vez, ele resumiu tudo isso dizendo “Eu nunca freqüentei a escola de cinema. Eu freqüentei o cinema”.

Na eleição de 2002 do Sight and Sound Directors, Tarantino revelou sua lista de doze melhores filmes de todos os tempos:

  1. The Good, the Bad and the Ugly
  2. Rio Bravo
  3. Taxi Driver
  4. His Girl Friday
  5. Rolling Thunder
  6. They All Laughed
  7. The Great Escape
  8. Carrie
  9. Coffy
  10. Dazed and Confused
  11. Five Fingers of Death
  12. Hi Diddle Diddle

Uma lista anterior dos melhores filmes de Tarantino também incluía Blow Out; One-Eyed Jacks; Per qualche dollaro in più; Bande à part; Breathless, a refilmagem de Acossado de Goddard; Le Doulos, They Live by Night e The Long Goodbye.[carece de fontes?]

Tarantino também cita Taxi Driver e Mean Streets, de Martin Scorsese, bem como Dawn of the Dead, de George A. Romero, como fortes influências.

Criticas

Tarantino vem sendo criticado pelo uso de temáticas racistas em seus filmes, especialmente a palavra nigger (negro) em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, principalmente pelo cineasta negro Spike Lee. Numa entrevista à revista Variety, Lee disse: “Eu não sou contra o termo… e eu o uso, mas Tarantino é obcecado pela palavra. O que ele quer? Ser considerado um negro honorário?”

Um exemplo bastante citado é uma cena de Pulp Fiction, na qual o personagem Jimmie Dimmick, representado pelo próprio Tarantino, recrimina o personagem de Samuel L. Jackson, Jules Winnfield, por usar sua casa como um “depósito de negros mortos”, seguido por um discurso no qual ele utiliza a palavra exaustivamente. Lee faz uma referência direta a este fato em seu filme Bamboozled, quando o personagem Thomas Dunwitty diz: “Por favor, não se ofenda por eu falar a palavra “nigger”. Eu tenho uma esposa negra e três filhos mestiços, então eu acho que tenho o direito de usar essa palavra. Eu não ligo pra o que Spike diz. Tarantino está certo. “Nigger” é apenas uma palavra.”

Tarantino se defende afirmando que o público negro aprecia seus filmes, e que Jackie Brown, outro exemplo bastante citado, foi feito principalmente para audiências negras: “Para mim, este é um filme de negros. Foi feito para o público negro, inclusive”.

Tarantino também é criticado por plagiar idéias, cenas e até diálogos de outros filmes. Por exemplo, a idéia geral do roteiro de Cães de Aluguel parece ter sido tirada do filme City of Fire, de Ringo Lam, e The Killing, de Stanley Kubrick, enquanto a idéia de criminosos nomeados por cores tenha sido retirada de The Taking of Pelham One Two Three. A versão de Don Siegel de The Killers influenciou as seqüências de abertura e encerramento de Pulp Fiction, e a cena da injeção de adrenalina lembra bastante uma história contada por Scorsese no documentário American Boy: A Profile of: Steven Prince. Além disso, a história de True Romance é praticamente a mesma de Badlands, de Terrence Malick.

Alguns dos diálogos de Tarantino, como o famoso discurso bíblico de Samuel Jackson em Pulp Fiction, foram trazidos de outros filmes. Por exemplo, em Karate Kiba (Combate Mortal, no Brasil), filme japonês da década de 1970 estrelado por Sonny Chiba (que mais faria uma ponta em Kill Bill como Hattori Hanzo), possui no texto introdutório da película o mesmo versículo recitado pelo personagem de Jackson.

Filmografia

Como diretor

Como roteirista

Como ator

  • 1987 – My Best Friend’s Birthday…. Clarence Pool
  • 1992 – Eddie Presley…. atendente do asilo
  • 1992 – Cães de aluguel…. Mr. Brown
  • 1994 – The Coriolis Effect (voz)…. Panhandle Slim
  • 1994 – Pulp Fiction – Tempo de violência…. Jimmie Dimmick
  • 1994 – Sleep With Me…. Sid
  • 1994 – Somebody to Love…. bartender
  • 1995 – Destiny Turns On the Radio…. Johnny Destiny
  • 1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)…. Chester
  • 1995 – A Balada do Pistoleiro…. rapaz na pick-up
  • 1995 – Dance Me to the End of Love…. noivo
  • 1996 – Um Drink no Inferno…. Richard Gecko
  • 1996 – Girl 6…. Q.T
  • 1997 – Jackie Brown (voz – não creditado)…. voz da secretária eletrônica
  • 2000 – Little Nicky, um diabo diferente…. diácono
  • 2001 – Alias (série de TV)…. McKenas Cole
  • 2007 – Planeta Terror
  • 2007 – À Prova de Morte
Como produtor

Curiosidades

Curte dançar que nem John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction”?  Uma mulher vestida com um macacão amarelo é seu fetiche? Procura o significado da música “Like a Virgin”? Deixou de ler histórias do Super-Homem depois que assistiu a “Kill Bill – Volume 2”? Então considere-se um fã do cinema de Quentin Tarantino. Mas você sabe tudo sobre a carreira desse diretor?

Se a resposta for não, então, take it easy, porque o A02 mostra pra você as maiores curiosidades dos filmes e da carreira desse cara. Como diria NanyB, “segue o passo”.

- Diga o nome Oliver Stone (“The Doors”, “JFK”) na frente de Quentin Tarantino e você vai vê-lo ficar furioso. Tudo porque o seu roteiro para “Assassinos por Natureza” não tem nada a ver com o filme homônimo dirigido por Stone. Segundo Tarantino, toda a obra, do começo ao fim, foi alterado sem sua autorização.

- O trecho da Bíblia (“Ezequiel 25:17”) que Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) diz sempre que vai dar uma lição de moral em “Pulp Fiction” na verdade não existe. Este texto é uma coletânea de vários versículos do livro.

- Tarantino foi presidente do júri do Festival de Cannes de 2004. No mesmo ano, “Kill Bill” foi exibido no festival francês, direto e sem cortes. Foram mais de três horas de sangue jorrando na tela.

- A divisão em dois volumes de “Kill Bill” teve uma razão: O “Volume 1” é mais visual (e sangrento), enquanto o “Volume 2” foi todo concentrado em diálogos (mas não deixou de ser sangrento).

- Além de ter salvo a carreira de John  Travolta, Tarantino só incluiu a cena de dança em “Pulp Fiction” após o ator ter aceito o papel.

- “Bastardos Inglórios” é o primeiro filme de Tarantino em um grande estúdio (a Universal Pictures) e também é o primeiro a não ter um ator decadente no elenco (tudo bem que Mike Myers não está nos melhores dias depois do sofrível “Guru do Amor”, mas não chega a ser considerado decadente).

- Em “Sin City”, Tarantino aceitou o convite de Robert Rodriguez e dirigiu uma sequência da adaptação da grafic novel de Frank Miller. Mais exatamente, a cena em que Clive Owen conversa com o “morto” Benício Del Toro dentro do carro. Tarantino para esta participação cobrou o valor simbólico de 1 dólar, que foi uma retribuição camarada para Rodriguez, que compôs a trilha sonora de “Kill Bill” e cobrou o mesmo valor pelo trabalho.

- As trilhas sonoras de seus filmes sempre têm diálogos inseridos entre uma faixa e outra.

- Em 2005, o diretor dirigiu o último episódio da temporada de “CSI”. O programa foi recorde de audiência.

- Todos seus filmes têm ligações:

Vic Vega (Michael Madsen), de “Cães de Aluguel”, é irmão de Vicent Vega (John Travolta), de “Pulp Fiction”;
O restaurante Jack Rabbit Slims, de “Pulp Fiction”, é citado em “Jack Brown” e “Kill Bill”;
Em “Pulp Fiction”, Mia Wallace (Uma Thurman), conta que gravou um piloto de uma série que não deu certo. Essa série contaria a história de três mulheres que trabalhavam como assassinas profissionais para um homem misterioso. Em “Kill Bill”, A Noiva fazia parte de um grupo de mulheres homicidas comandadas por Bill.

 

 

Olá para todos vocês.

Já faz um tempo que eu não post nenhum Homenagem ao Diretor e desta vez eu vou falar de um diretor que eu conheci a pouco tempo, mas todos os filmes dele me conquistou por seu carater e suas idéia perfeitas que se encaixam em cada produção.

Homenagem ao Diretor

Esmir Filho

Marcada por um trabalho de repercussão extrema via YouTube (Tapa na Pantera) e por duas presenças em Cannes (com Alguma Coisa Assim em 2006 e, agora, com Saliva), a obra de Esmir Filho pede neste instante não um julgamento prematuro, mas sim olhos atentos a esses seus primeiros passos. Em outras palavras, ver de que maneira e para onde esse cineasta está caminhando com sua criação, sem tentar lhe registrar uma identidade, um RG autoral. Uma observação antes de uma decretação.

De seu primeiro curta, Ato II Cena 5, de 2004 (co-dirigido com seu colega de Faap, Rafael Gomes, assim como Tapa na Pantera), ao recém-saído do forno Saliva, há uma evidente busca por melhorias, por estruturar mais solidamente a narrativa, construir melhor a relação entre espaço e personagens, utilizando com mais habilidade os recursos cinematográficos a fim de criar sentidos através das imagens. Entre um e outro, algum exercício de aquecimento, como em Vibracall (2006) — teste de montagem sem diálogos, em três minutos — e mesmo em Tapa na Pantera, teste de atuação em estado bruto.

Algumas recorrências estão nessa argila em modelagem. Como a atenção ao universo intimista dos personagens. Uma opção que traz ao conteúdo dramatúrgico dos filmes algumas questões relacionadas à contemporaneidade, como a fugacidade da experiência humana (a bela seqüência da danceteria de Alguma Coisa Assim – foto no topo da página), a incomunicabilidade entre sexos (no mesmo filme) ou a presença tecnológica (que ganha funções “orgânicas” em Vibracall, em que duas garotas reutilizam o celular como um discretíssimo vibrador em sala de aula – foto acima).

Essa recusa pelo nacional, em se registrar algo do “mundo real”, coincide com um afastamento do naturalismo, algo patente desde o primeiro filme, Ato II Cena 5, na sua extrema teatralização dos enquadramentos e atuações. Daí ser coerente a esse projeto de cinema anti-naturalista uma predileção pela montagem que cria sentidos na costura dos planos, e menos nos planos longos – ainda que estes componham alguns dos “experimentos” de Esmir em sua ginástica preparatória. São freqüentes a fotografia com filtros, os desfocos, os movimentos chicoteados de câmera e a forte marcação de cena (marca de um cinema previamente idealizado, e, neste caso de Esmir, menos teatral que próxima de um cinema tableau como o de Jean-Pierre Jeunet, com Ímpar-Par (2005) como melhor exemplo).

Nessa forte preparação prévia do que será o filme, há entretanto um problema de foco. Em Ímpar-Par, o problema se faz colossal, pois há uma introdução inicial, salpicando vários personagens inúteis, que adia a ida ao centro do curta: o jogo (anêmico, diga-se) entre o protagonista sapateiro e sua amada. Essa ausência de foco samba junto a uma falta de concisão em seu cinema, o que faz com a repetição de planos impere sobre a fluidez – caso de Vibracall, que, apesar de curtíssimo, não cria fluxo na repetição ad nauseam de planos ilustrando o orgasmo que está para tomar conta da mocinha. Esse reforço da informação trazida pela imagem por via da repetição se faz crucial naquela que é a maior recorrência dessa meia dúzia de curtas: o discurso oral. Uma contradição a ser discutida, pois se é evidente o esmero visual dos dois últimos filmes de Esmir Filho, os diálogos ou vozes sobrepostas assumiram na inversa proporção.

Um jovem cineasta tateando procedimentos para seu cinema narrativo? Talvez, mas não podemos deixar de lado algo que o próprio disse sobre seu projeto de cinema em entrevista dada à Cinética durante o 11º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que é manter “um maior apelo de público”, manter a autoria sem perder a comunicação com a platéia. O resultado é arriscado, pois em Tapa na Pantera (acima), verbo tomando corpo na tela, o único interesse está no conteúdo da fala e no acting de Maria Alice Vergueiro, nada além. Em Alguma Coisa Assim e Saliva, essa mescla de cinema narrativo (na dramaturgia) e experimental (na palheta visual), ou seja, esse acuro da imagem poluído pela falta de foco e, pior, pela pesada malha de falas (falas estas “naturalistas”!), torna-se dramática.

O filme de 2006 tem a melhor seqüência filmada por Esmir Filho até esse momento: a da danceteria. Um momento sublime, indicador do norte para o qual Esmir Filho pode apontar seu cinema. Aqui, os dois amigos, Caio e Mari, vão à pista acompanhados por uma câmera que, diferentemente dos tableau de outrora, está junto a eles, ora chicoteando com a montagem sintonizada com a pulsação sonora, ora observando a errância de Mari naquele lugar e captando o semblante frustrado da mesma quando ela, apaixonada, vê o amigo gay Caio beijando outro cara. Temos, aqui, um parentesco distante com o cinema asiático, um tanto da disco que Beto Brant filmou em O Invasor, mais um pouco do eficiente padrão nightclub dos filmes americanos. Eles saem da discoteque e Esmir enfatiza o que estava óbvio minuto atrás: que Mari gosta de Caio. Haverá uma longa seqüência num supermercado (acima), com forte marcação, vários planos do rosto de Mari frustrada e derretida e um blablablá sem fim que reescreve aquilo que já estava traçado desde a primeira (também boa) seqüência do filme, quando ambos correm pelas ruas por entre os carros e rasgando a calçada na correria. O que segura o filme até o final é a presença da solar Caroline Abras.

Em Saliva não é muito diferente. O começo parece uma (boa) videoarte, meio um filme de Arthur Omar, com câmera colada na pele da garota de 12 anos, que tateia o espelho embaçado e deixa sua saliva nele. Aqui está um diretor manipulador da imagem, criando texturas e dando, efetivamente, algo acqua, refrescante, por via da luz, coisas mostradas. Saberemos, a seguir, graças a uma série de diálogo tanto canhestros, que ela dará seu primeiro beijo de língua num menininho de sua idade. O filme alternará imagens pretéritas dela com a amiga mais velha ensinando-a como beijar e sua ida, titubeante (ela tem nojo, o filme não cansa de mostrar e fazer ouvir). Chegando o momento, há um oceano de imagens redundantes que metaforizam o primeiro encontro de lábios da pequena.

Que fique claro, se ambos os filmes passassem por um filtro que retivesse imagens em excesso e algumas falas que, longe da poesia, cumprem o pior lado do didatismo dramatúrgico, haveria mais dois belos curtas brasileiros. Saliva, por exemplo, usa a profundidade de campo do shopping Eldorado, em São Paulo, com estruturas metálicas e uma luz esbranquiçada, não resultando num fetichismo estético, mas comentando a pureza daquele momento em que a menininha será algo entre um anjinho e uma mulher. Se a falta de foco e segurança toma de redundância os filmes de Esmir Filho ou se, de fato, ele acredita nesse seu projeto de cinema híbrido e tanto “engordurado” nas imagens, isso é algo cuja resposta estará no tempo — e nos filmes. Pelo ótimo fluxo visual da primeira metade de Alguma Coisa Assim, pode-se dizer que os seis curtas de Esmir Filho são como um avião que decola sem rota de vôo ou sob o peso de uma enorme âncora encalhada na pista. Ou seja, há uma aeronave com fortes motores para se voar alto.

Seu novo longa está sendo já considerado uma obra prima

Os Famosos e os Duendes da Morte

Mais informações do longa no site oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/osfamososeosduendesdamorte/

Olá todos os leitores do Entre Uisque Escoês e Cinema Alemão. Hoje eu vou estar abrindo mais um espaço no blog, o Homenagem ao diretor onde os post vão falar um pouco da vida deles, seus trabalhos, feitos, premios que ganharam entre outras coisas. E pra começar eu vou falar aqui sobre um dos diretores que pra  mim é um dos mais influente e mais importantes para a história do cinema, sem ele talvez não teriamos grandes filmes como os de hoje.

Homenagem ao Diretor

Staley Kubrick

 

Stanley Kubrick (Nova Iorque, 26 de julho de 1928Hertfordshire, 7 de março de 1999) foi um dos cineastas mais importantes do século XX, responsável por uma carreira notável, regular e bem-estruturada que gozou de uma excelente recepção crítica.

Em sua infância, o garoto do Bronx não era o que se podia chamar de “aluno exemplar”. Raramente fazia as lições de casa e suas notas não eram das melhores. Mas apesar disso, tinha reconhecimento do pai em sua mente criativa. Foi este quem o encorajou a aprender xadrez (se tornou um especialista no esporte) e lhe deu sua primeira máquina fotográfica. Ainda na adolescência, visando a carreira como fotógrafo, conseguiu emprego na conceituada revista Look, mas logo Kubrick descobriu que o seu futuro estava ligado a outro tipo de câmera.    

   Estreou como cineasta de curta-metragens aos 22 anos. Aos 25, obteve uma grande ajuda financeira do pai, que penhorou a casa para a produção de Fear and Desire (1953), seu primeiro longa-metragem. Considerou o trabalho amador e, mesmo com algumas boas críticas, logo tratou de retirá-lo de circulação. Até hoje o filme permanece fora de catálogo, tendo sido exibido poucas vezes em festivais ou distribuído ilegalmente. Logo após Kubrick realizaria outro longa, A Morte Passou Por Perto (1955) (Killer’s Kiss), outro filme pouco divulgado e de difícil acesso. Mas é a partir de O Grande Golpe (The Killing) (1956) que sua carreira começa a funcionar. A trama sobre um plano de assalto ganhou a atenção de alguns produtores. Apesar disso, teve dificuldades com a adaptação da novela Paths of Glory. O filme homônimo foi estrelado pelo astro Kirk Douglas, que ajudou a levantar o projeto após ele ter sido rejeitado pelos estúdios. Kubrick fez um dos filmes anti-guerra mais poderosos que o mundo do cinema já viu. Focado não em heróis, mas sim em covardes. Apesar das excelentes críticas, Horizontes de Glória (1957) (Paths of Glory) foi proibido em alguns países, incluindo a França.

Kirk Douglas gostou de trabalhar com Kubrick. Foi ele quem o chamou para dirigir o épico Spartacus (1960) após a tensa demissão do veterano diretor Anthony Mann. Mann já havia filmado boa parte da produção quando Kubrick, com apenas 29 anos, assumiu o seu lugar. A boa relação com Douglas viria por água a baixo quando diferenças criativas se confrontaram. Kubrick perdeu a batalha e se viu obrigado a filmar sem poder colocar algumas de suas ideias em prática. Mesmo com o sucesso do filme, ele decidiu que dali por diante só iria aceitar projetos que pudesse ter total liberdade criativa. E foi com esse pensamento que se muda para a Inglaterra em 1962. No mesmo ano começa as filmagens de Lolita (1962), clássico da literatura escrita por Vladimir Nabokov. A curiosidade sobre a adaptação da obra de Nabokov dá grande visibilidade ao filme, que mesmo imerso em polêmicas (a relação entre um homem de meia-idade e uma adolescente era a principal delas) se torna outro grande sucesso de crítica. Dois anos depois, o diretor lança outro clássico absoluto: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964) (Doutor Fantástico no Brasil; Doutor Estranhoamor em Portugal). Tendo como o tema a ameaça nuclear, o filme é uma comédia de humor negro com atuações e roteiro primorosos. Para atuar, Kubrick chamou o comediante inglês Peter Sellers, que se desdobra em três papéis, incluindo o de presidente dos Estados Unidos da América e George C. Scott (que alguns anos mais tarde se destacaria de vez em Patton, Rebelde ou Herói?). Entre os vários momentos clássicos está o final, com direito a um major cowboy montado sobre um míssil. Esse trabalho rendeu a Kubrick sua primeira indicação ao Oscar de melhor diretor.

Cinco anos de produção foram necessários para o desenvolvimento de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) (2001: A Space Odissey), para muitos, a melhor ficção científica já filmada. Foi escrito ao mesmo tempo em que o livro homônimo de Arthur C. Clarke estava em produção. Clarke, inclusive, deu assistência na criação do roteiro. 2001 teve uma recepção fria da crítica, mas obteve sucesso junto ao público. Até hoje possui em sua força maior as músicas de Richard Strauss,Assim falou Zaratustrae Joham Strauss, Danúbio Azul, . Os efeitos especiais, inovadores para a época, garantiram ao filme um Oscar da categoria. Novamente indicado a melhor diretor, Kubrick vê o seu prêmio escapar. Logo após, chateado com o cancelamento do longa sobre Napoleão Bonaparte, ele segue para mais uma adaptação. Dessa vez o livro é A Laranja Mecânica (1971) (A Clockwork Orange) de Anthony Burgess, focado na violência humana e, principalmente, na da juventude. Causou grande polêmica na época de seu lançamento e foi acusado de incitar a barbárie. Na história, quatro jovens de classe trabalhadoras passam as noites cometendo as maiores atrocidades: brigar, roubar, estuprar… são apenas algumas delas. A vida de um deles, Alex, (Malcolm McDowell) toma um rumo diferente quando o mesmo vai para a cadeia. Disparado o trabalho mais controverso do diretor, que lhe rendeu outra indicação ao prêmio da Academia e outra derrota.

Nos anos seguintes três filmes totalmente diferentes: um longuíssimo filme de época, um terror de gelar a espinha e a sua visão da Guerra do Vietnã. O primeiro é Barry Lyndon (1975). Linda obra saída de uma novela de William Makepeace Thackeray. Apesar de ser pouco conhecido, o filme é considerado por muito dos fãs de Kubrick, entre eles Martin Scorsese, como seu melhor trabalho. Pois nele é perfeitamente visível o seu perfeccionismo, característica marcante em sua carreira. Barry Lyndon, interpretado magistralmente por Ryan O’Neal, é uma espécie de “talentosa fraude” que inevitavelmente é expulso de onde quer que se meta. A fotografia do filme, dirigida por John Alcott - trabalhando sob a orientação técnica de Kubrick – e vencedora do Oscar, é outro momento inesquecível. Kubrick usou lentes criadas pela NASA para poder filmar alguns interiores. Detalhe: iluminados apenas com velas. Mesmo com todo o cuidado da produção, Barry Lyndon fracassou nos Estados Unidos, mas fez relativo sucesso na Europa. Levou quatro estatuetas douradas, mas de novo o admirável trabalho de Stanley como diretor não foi reconhecido pela maioria votante. Um novo sucesso mundial ele voltaria a ter com o clássico O Iluminado (1980) (The Shining), adaptação da obra de Stephen King. A história de uma família que passa uma temporada em um hotel nas montanhas até hoje faz sucesso onde quer que seja exibida. Quase no final dos anos 80, Kubrick resurgiria dando ênfase a guerra. Dessa vez a do Vietnã. Saída do livro de Gustav Hasford, Nascido Para Matar (1987) (Full Metal Jacket) é quase que uma versão “Kubrickiana” de Apocalypse Now. O filme é praticamente dividido em duas partes: a preparação para a guerra e o ambiente de combate. Kubrick disse que ficou frustrado com o fato de que antes da estréia do filme dois outros longas sobre o tema já tinham sido lançados com sucesso: Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields) (1984) e Platoon (1986). Ainda como destaque da produção está o imenso set erguido em Londres para a batalha final.

Do seu último longa-metragem até De Olhos Bem Fechados (1999) (Eyes Wide Shut), passou-se um longo período sem nada assinado por Stanley. Lançado em 1999, o filme protagonizado pelo (até então) casal número um dos Estados Unidos, causou uma grande comoção entre os amantes da sétima arte. Tom Cruise e Nicole Kidman interpretam um casal em crise e foi adaptada de romance escrito por Arthur Schnitzler, chamado Traumnovelle. Dois anos foi o período de filmagem, tempo que o perfeccionismo de Kubrick achou necessário para a conclusão do filme, mas não o necessário para agradar a crítica e público. Kubrick faleceu enquanto dormia, devido a um ataque cardíaco, no dia 7  de março de 1999, não testemunhando a fria recepção que seu último trabalho obteve. O último projeto cinematográfico em que esteve envolvido, mas que por questões de saúde não dirigiu, foi AI:Inteligência Artificial, de Steven Spielberg.

Curiosidades sobre o Diretor

  • Três de seus filmes, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Dr. Fantástico e A Laranja Mecânica, estão listados entre os 50 maiores filmes de todos os tempos, pelo respeitado American Film Institute.[1]
  • A grande maioria de sua obra retrata personagens que sofrem um processo gradual de desintegração psicológica que muitas vezes as conduz à loucura. Em “Lolita”, Humbert Humbert é lentamente consumido pelo ciúme e paranoia; em “Dr. Strangelove”, um oficial do exército enlouquece com a pressão da Guerra Fria e desencadeia uma guerra nuclear entre as nações envolvidas; em “2001: Uma Odisseia no Espaço”, HAL, apesar de ser uma máquina, apresenta padrões comportamentais humanos ao ponto de matar a tripulação humana da viagem, receando que pudesse ser desativado/morto por falhas; em “Laranja Mecânica”, Alex é transformado em um ser pacífico contrário à sua natureza, e paralelamente o pacífico escritor enlouquece ao descobrir a verdadeira identidade do assassino da mulher; “Barry Lyndon” deixa se levar pelo poder e riqueza no filme homônimo de 1975; Jack, em “O Iluminado”, enlouquece durante um inverno em um hotel desocupado e tenta matar sua família; em “Nascido para matar” o soldado Pyle enlouquece com o treinamento militar na primeira parte do filme, e na segunda parte os soldados no Vietnã apresentam um comportamento igualmente insano e frio; em “De Olhos Bem Fechados” Dr. Bill desenvolve uma paranoia irracional (ou talvez real?) de que sua esposa possa ser infiel a ele.

  • A grande maioria dos filmes de Kubrick possui ao menos uma cena importante que se passa em um banheiro.
  • Durante a década de 90 um cidadão inglês chamado Alan Conway se fez passar publicamente por Stanley Kubrick, e teve acesso a festas, boates e restaurantes famosos. Parte do seu sucesso na fraude é devido ao fato de que o verdadeiro Kubrick era recluso e reservado, ao ponto de que muitas pessoas nem ao menos sabiam como era a aparência do diretor. A história virou um filme em 2005, “Colour me Kubrick” (Totalmente Kubrick, título em português), estrelado por John Malkovich.
  • Era um grande admirador do trabalho de Woody Allen, e considerou a possibilidade de o escalar para o filme De Olhos Bem Fechados. Ocasionalmente o papel foi para Sydney Pollack.
  • Um projeto que tentou realizar durante 30 anos era um filme sobre Napoleão Bonaparte. Após a sua morte em 1999, sua casa e escritório na Inglaterra foi aberta a um seleto grupo de jornalistas que tiveram a oportunidade de presenciar a dedicação de Kubrick ao projeto: uma sala repleta de mapas, ilustrações e “praticamente todos os livros já escritos sobre Napoleão” segundo um assistente do diretor.
  • Era avesso a dar entrevistas.

  • Após Spartacus, Kubrick só assumiu projetos sobre os quais tivesse absoluto controle. Algumas mudanças no roteiro do épico foram feitas pelo estúdio, o que desagradou o diretor. Por outro lado, os novos filmes de Kubrick iriam enfurecer os escritores dos quais os livros eram adaptados para as telas. Stephen King, autor de O Iluminado, criticou duramente o filme, alegando que Kubrick, além de modificar sua história, também não retratou o mesmo clima de terror de seu livro. Durante a década de 90 King produziria sua versão própria para um filme da TV. Nabokov disse ter admirado o filme Lolita, mas se mostrou extremamente aborrecido por ter perdido tempo em criar e adaptar um roteiro que mais tarde seria tão modificado por Kubrick que ficaria irreconhecível ao original. O escritor Anthony Burgess nutriu um ódio pessoal pelo diretor, ao ponto de que, em uma de suas versões para o teatro de seu livro Laranja Mecânica, um personagem fisicamente parecido com Kubrick era espancado até a morte pelos drugues de Alex.

  • Segundo R. Lee Ermey, Kubrick repugnava a falta de profissionalismo dos atores e suas personalidades mimadas. Ainda segundo ele, um dos motivos para seus múltiplos takes repetidos era o fato de que “os atores memorizavam mas não compreendiam as falas. Somente após 40 takes os atores finalmente entravam no papel e paravam de simplesmente repetir as palavras para finalmente atuar naturalmente”.
  • Outra teoria para seus takes repetidos era a de que Kubrick poderia assim manipular seus atores ao limite desejável. Apesar de parecer um ato aparentemente frio e desumano, os resultados com a atriz Shelley Duvall em O Iluminado parecem ter funcionado. Após mais de 100 takes (um recorde) os gritos de desespero da atriz na cena “Here is Johnny” pareciam reais. Talvez porque fossem reais.
  • Foi convidado para dirigir a continuação do sucesso O Exorcista, mas recusou porque queria desenvolver seu próprio filme de terror.
  • Teve grandes problemas de relacionamento durante as filmagens de O Iluminado. Consta que o ator Jack Nicholson teria ficado enfurecido com Kubrick devido ao seu perfeccionismo, dizendo-lhe que “só porque você é perfeccionista não quer dizer que seja perfeito”. Aparentemente, Kubrick, que sofria de insônia, também ligava para o autor Stephen King de madrugada para fazer-lhe perguntas religiosas.
  • Ganhou um documentário a seu respeito, chamado Stanley Kubrick: Imagens de Uma Vida (Stanley Kubrick: A Life in Pictures/2001). O filme foi narrado pelo astro de sua última obra, Tom Cruise.
  • Kubrick morreu exatamente 666 dias antes de 2001, na Inglaterra, o verdadeiro lar que adotou após brigas com a indústria cinematográfica de seu país (EUA).
  • Pelas suas características foi diagnosticado como portador de autismo de alto desempenho.
  • Kubrick nunca dirigiu uma continuação.

Lugares para Visitas

Premios e Nomeações

Oscar

Melhores Efeitos Especiais

1968 – 2001: Uma Odisseia no Espaço

Indicações

Melhor Diretor

1964 – Dr. Fantástico

1968 – 2001: Uma Odisseia no Espaço

1971 – Laranja Mecânica

1975 - Barry Lyndon

Melhor Filme

1964 – Dr. Fantástico

1971 – Laranja Mecânica

1975 - Barry Lyndon

Melhor Roteiro

1964 – Dr. Fantástico

1968 – 2001: Uma Odisseia no Espaço

1971 – Laranja Mecânica

1975 - Barry Lyndon

1987 – Nascido Para Matar

 Globo de Ouro

Indicações

Melhor Filme

1971 – Laranja Mecânica

1975 - Barry Lyndon

Framboesa de Ouro

Indicações

Pior Diretor

1980 – O Iluminado

Festival de Veneza

Leão de Ouro pela contribuição ao cinema

Director’s Guild of America

Prêmio pelo conjunto da obra (1997)

Prêmio Luchino Visconti

Prêmio pela contribuição ao cinema (1988)

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