Quando asssiti pela 1º vez “O Virgem de 40 Anos” confesso que virei um grande fan de Steven Carrel. Sempre achei que ninguem poderia superar Jim Carey, mas pode sim e é Steven Carrel.
“Uma Noite Fora de Série” foi um filme que quando assisti um trailher na hora pensei- “Há mais um filme de Judd Apatow, que bom por que… ele nunca mais fes filme e eu to aguardando à muito tempo um filme dele”- Mas infelizmente não foi desta vez. Tma sim muita cara de Judd Apatow com um roteiro mother fucker de Seth Rogen. Ele que é dirigido por Shawn Levy que é um diretor que está estreiando ai nos cinemas com esse que é um filme no qual eu estou esperando faz um ano, e um roteiro de Josh Klausner que também está ais estreiando, mas que não faz tanta diferença.
A História parece bem manjada por ser uma comédia onde há confusões de pessoas que só se ferram durante o filme inteiro, mas a sempre uma diferença de um filme para o outro que no caso são os dialogos, o enredo, os atores e o ritimos que o filme rola por que ha filmes na mesma situação que ficam parados o tempo todo, por ser um filme de comédia o ritimo acelerado tem que estar veloz todo o tempo.
Esse tipo de filme no entanto que mistira um pouco de ação faz realmente sucesso no cinema. O que falta então?- Falta divulgação. A falta de divulgação tem levado muitas comédias ótimas direto para Home Video.
O elenco no entanto não tem defeitos. Os novos atores descobertos para o humor americano tem dado um show nas produções que atuam, entre eles o próprio James Franco que está no filme, outros entanto estão em todos os outros filmes de Judd Apatow- Paul Rudd, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Leslie Mann, Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Emma Stone, Nate Hartley, Troy Gentile, Jesse Eisenberg, Ryan Reynolds, Martin Starr, Bill Hader, Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha.
Alem de muitos outros atores. Não esquecendo é claro de Tina Fey que alem de uma belissima atriz, está ótima nesse filme.
Todos nós temos dias de fúria ou de “bad hair day”. Acontece. Não é sempre que estamos inspirados para escrever, trabalhar ou simplesmente sair de casa para comprar chuchu.
Marc Lawrence – o mesmo do delicioso “Letra e Música” – parece ter vivido semanas assim quando escreveu e posteriormente dirigiu “Cadê os Morgan?”.
O novo trabalho de Marc Lawrence não é filme. É um chuchu. Nenhuma surpresa, reviravolta, sacada ou novidade na escolha e na interpretação dos protagonistas.
Hugh Grant repete o papel de sempre, tanto na ficção quanto na vida real: o de traidor. Já Sarah Jessica Parker novamente dá vida à personagem que fez sua fama em “Sex and The City”: a de novaiorquina bem-sucedida que estampa capas de revistas. O destaque aqui é o cabelo. Quanta diferença.
Hugh Grant e Jessica Parker formam um casal recém-separado que se torna testemunha de um crime em Nova York. Correndo risco de morte, eles são incluídos no programa de proteção a testemunhas do FBI e obrigados a morar temporariamente no interior dos Estados Unidos – mais especificamente em Ray (Wyoming).
É necessário apenas um Tico e um Teco para adivinhar onde a história vai dar. Mas não é a previsibilidade que incomoda – afinal, é a característica principal das comédias românticas. O grande problema é que depois de uma hora e trinta minutos tentamos entender qual é a do filme. Por quê? Para quem? A troco de quê?
As poucas piadas não resultam em gargalhadas e resumem-se a diálogos afiados que opõem republicanos e democratas.
Quando a personagem de Mary Steenburgen aparece, Jéssica Parker diz: “oh meu Deus, é a Sarah Palin!”. Além disso, alguns moradores de Ray orgulham-se de saber de cor quantos democratas há na cidade: 13.
“Cadê os Morgan?” só não se torna intolerável porque até o nada os americanos sabem filmar muito bem. Conseguir o naturalismo – mesmo que seja no vácuo – não deixa de ser um mérito.
Paul Haggis fez escola. Essa é a sensação ao término de “Atraídos pelo Crime”, já que é inevitável a semelhança entre o novo longa de Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento” e “Rei Arthur”) e a obra que levou o Oscar de melhor filme em 2006, “Crash – No Limite”. Além de retratarem várias histórias ao mesmo tempo que se passam em grandes centros urbanos americanos, os dois sofrem do mesmo mal: são prejudicados pela grande pretensão que possuem. Na verdade, a película de Fuqua mais parece uma inspiração da trama protagonizada por Matt Dillon em “Crash”, com seus policiais corruptos e sempre em situação de tensão. Mas se há algo que os diferencia, isso é a direção talentosa de Haggis e a mensagem mais explícita de seu roteiro. Nesses quesitos, aliás, “Atraídos pelo Crime” perde feio.
O longa, pelo menos, procura reduzir o número de personagens. Aqui, temos apenas três protagonistas, todos policiais do bairro nova-iorquino do Brooklyn. O primeiro a nos ser apresentado é Sal (Ethan Hawke), que, depois de uma conversa sobre o que é certo e errado, mata um homem para roubar o seu dinheiro. Pai de família com quatro filhos e com mais dois à caminho, ele está desesperado para tirar sua esposa do aperto e do perigoso mofo de sua atual casa. Quer comprar uma nova propriedade, dar conforto para os filhos. No entanto, o salário de policial impossibilita seu sonho, e o meio mais fácil para conseguir grana é escolhido.
Já Tango (Don Cheadle) convive há dois anos com criminosos. Escalado para se infiltrar em uma gangue que domina o tráfico de drogas na região, ele acabou se confundindo. Não sabe mais se é mocinho ou bandido. A corporação, porém, quer lhe dar uma chance: ele será promovido caso consiga provas que levem Caz (Wesley Snipes), um perigoso traficante, de volta à prisão. O problema é que o bandido é seu amigo, tendo-lhe até salvado a vida uma vez, o que dificultará sua escolha.
Enquanto os dois ainda devem ter anos de profissão pela frente, Eddie (Richard Gere) conta os dias para se aposentar. Ele está há uma semana de se livrar do pesadelo diário que enfrenta ao vestir o uniforme, carregar a arma e rondar as ruas do bairro. Pensa regularmente em se matar, mesmo que com uma pistola sem balas. Não tem família, nem amigos. A pessoa com quem possui uma relação mais próxima é uma prostituta que visita eventualmente. Bebe compulsivamente. E como se não bastasse, ainda é selecionado para ajudar novos policiais em seu ofício. Função pior não poderia haver.
Investindo nos dilemas rotineiros enfrentados pelos policiais do Brooklyn, “Atraídos pelo Crime” traz uma primeira impressão positiva. Diante de tantos filmes policiais voltados apenas para a ação, esse parece ser um drama denso que explicita as dificuldades na vida dos responsáveis por proteger diariamente a vida dos americanos. Com o desenvolvimento da história, no entanto, o que vemos é lamentação atrás de lamentação, nunca sendo devidamente mostrados os motivos que fazem esses policiais se envergonharem do que são.
Os três protagonistas já são apresentados em uma situação limite, e o passado deles permanece nebuloso. Eddie parece ser um depressivo sem motivos, Tango tem uma trama confusa de envolvimento com o tráfico, e Sal é acometido por um estress ininterrupto. O roteiro do estreante Michael C. Martin, enfim, se perde em suas intenções. A profundidade de seus personagens é a meta, mas os fatos são tantos e tão comuns, que nunca chegamos a conhecê-los apropriadamente. Diálogos reveladores poderiam ser a saída, mas eles simplesmente não acontecem.
Assim como a maioria dos filmes com tramas múltiplas, a impressão aqui é de que, se desenvolvidas separadamente, em uma película dedicada apenas para si, as histórias renderiam uma bela fita. A trama de Tango, particularmente, poderia ter sua conturbada relação com a esposa desenvolvida, assim como o seu gradual envolvimento com o tráfico. Em vez disso, o roteiro aposta na inclusão de chefes de polícia arrogantes em seu trabalho e no nascimento de uma nova gangue que pretende tirar o grupo liderado por Caz do “poder”. Com potencial para ser a melhor do longa, a história é prejudicada pelo destino comercial que o enredo acaba lhe rendendo.
O desfecho, aliás, não poderia ser pior. Da necessidade de dar um ponto final ao que criou, Michael C. Martin se entrega a velhas fórmulas hollywoodianas no terço final do filme, desesperado por uma conclusão trágica que dê a devida proporção aos dramas que seus personagens vinham passando. Além disso, ainda trata de interligar desnecessariamente os protagonistas, transformando uma rua do Brooklyn num palco de horror. Um final em aberto não consertaria o filme, mas seria a opção mais acertada para um longa que pretende retratar a rotina complexa de policiais do Brooklyn.
O diretor Antoine Fuqua também contribui para o aumento da pretensão de “Atraídos pelo Crime”. Com uma trilha sonora sempre presente, ele aposta nas mensagens politicamente incorretas do roteiro e dá densidade ao filme. Algumas sequencias funcionam, como a tensa cena inicial. Em outras, ele exagera, principalmente ao optar pela câmera lenta. Fuqua chega até a se perder um pouco no ritmo, prejudicado pela edição falha da fita, que esquece o personagem de Ethan Hawke durante longos minutos, mas retoma a velocidade do meio para o final do filme.
No elenco, os grandes nomes têm resultados distintos. Ethan Hawke, no seu segundo trabalho com o diretor, surge acima do tom em muitas cenas. Richard Gere, que tenta cada vez mais desvincular sua imagem de filmes românticos, traz justamente a sensibilidade que adquiriu ao longo dos anos, mas esquece a intensidade que um policial precisa ter, mesmo que perto da aposentadoria. Já Don Cheadle é o melhor dos três, com sua discrição e capacidade de fazer boas cenas de ação. Ele divide a tela com um surpreendente Wesley Snipes.
Contando com um roteiro que peca pela sua pretensão, “Atraídos pelo Crime” é mais um daqueles filmes que parecem mais complexos do que realmente são. No entanto, sobram fatos e falta profundidade. Paul Haggis realmente tem seguidores fiéis que tentam copiar o seu cinema a todo custo. Falta-lhes apenas mais talento para dirigir e enganar melhor o público e a crítica.
O que torna um filme em um “cult”, um produto que escapa do grande público, mas consegue acertar em cheio um grupo de pessoas que o defende com veemência, a ponto de cultuá-lo? Não há uma fórmula para isso. Afinal, a grande maioria dos cineastas quer mesmo é que seus projetos cheguem ao máximo de pessoas possível. Mas, aparentemente, ser ambientado em um futuro pós-apocalíptico é um dos ingredientes que conta a favor, como em Mad Max, Blade Runner e até mesmo Matrix - que depois acabou virando uma grande franquia de blockbusters.
Pois este é o cenário de O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), novo filme dos irmãos Allen e Albert Hughes (Do Inferno). Desde a primeira visão que temos do protagonista Eli (Denzel Washington), percebemos que estamos em um lugar diferente da Terra que conhecemos. A fotografia azulada deixa tudo quase monocromático, morto e extremamente seco, como o que restou do planeta. Os buracos que vemos pelo caminho trilhado por ele não deixam dúvidas de que houve uma guerra e muitas coisas explodiram por ali.
Mas ao contrário do que aconteceria em filmes feitos para as multidões, O Livro de Eli não se preocupa em explicar com todas as letras o que aconteceu por ali, deixando para o público a tarefa de completar os pontos. O seu objetivo não é falar do passado, mas sim do futuro. Tudo o que descobrimos é que Eli já está há muito tempo na estrada (“30 invernos já se passaram“, diz ele) seguindo as ordens de uma voz, que o orientou a rumar para o Oeste. E cada vez mais acreditamos que nada vai conseguir detê-lo.
Um dos seus últimos percalços é Carnegie (Gary Oldman), o chefe de um inóspito vilarejo. Impossível não olhar para aquele lugar seco, o bar onde se vende bebida e mulheres, as pessoas sujas e os bandidos armados sem pensar nos velhos westerns. Carnegie seria o xerife que faz a lei do seu jeito, e Eli o forasteiro que não quer problemas, mas os atrai com mais força do que um ímã atrairia a bem afiada lâmina da sua faca.
Carnegie está obcecado por um livro. Ou melhor, “O” livro sagrado, a Bíblia. Ele reconhece que as palavras ali escritas têm poder de torná-lo um líder ainda mais poderoso, que poderá ampliar o seu domínio para muito além daquela destruída cidadela. E como o título do filme já trata de deixar bem claro, é este o livro que Eli carrega com tanto cuidado em direção ao pôr do sol.
Estas são as peças espalhadas pelo tabuleiro, o resto é muita ação, com Denzel Washington mostrando toda a sua elegância na arte de chutar bundas em bem coreografadas lutas filmadas em planos sequência, sem precisar se esconder atrás de cortes rápidos. Estes são os fatos. O resto do filme quem vai fazer é cada expectador, em sua cabeça. Teria sido a tal guerra que devastou tudo a temida Guerra Santa? Foi por isso que todas as Bíblias foram queimadas? É apenas a fé que protege Eli, ou Algo mais? O fato de Carnegie querer usar o Velho Testamento em seu próprio benefício seria uma crítica a um recente habitante da Casa Branca, que invocava Deus para invadir países mundo afora? São estas e outras questões deixadas no ar que provocam discussões e ajudam a tornar uma obra em algo superior. O Livro de Eli tem nas suas entrelinhas conteúdo suficiente para se tornar um cult daqui a alguns anos. Pode deixar um espaço separado para ele na sua prateleira.
Já considerado por muitos como um dos novos queridinhos de Hollywood, o ator australiano Sam Worthington vem conquistando o público com um blockbuster atrás do outro. Com a boa bilheteria de “Exterminador do Futuro: A Salvação”, o estrondoso sucesso de “Avatar” e o esperadíssimo épico “Fúria de Titãs” a caminho, Worthington vem sendo visto como uma boa opção para carregar superproduções. A prova é que o ator acaba de se juntar a adaptação da HQ “Dan Dare: O Piloto do Futuro”.
Dan Dare (que será interpretado por Worthington) é um audacioso piloto de testes da Frota Espacial Interplanetária, sempre envolvido em diversas aventuras. Curiosamente, suas histórias se passavam no ano de 1990, fator que deve ser alterado no cinema. Ao longo das décadas, o personagem teve várias reinterpretações nos quadrinhos, além de ter virado radionovela, videogame e desenho animado. Seu nome é inclusive citado em músicas do Pink Floyde de Elton John.
Criada nos anos 50 por Frank Hampson, a HQ britânica “Dan Dare” é um dos maiores sucessos do Reino Unido no gênero. Ela pode ser descrita como uma versão americana de Buck Rogers. A Warner é a encarregada de levar o projeto ás telonas, que ainda não tem roteirista ou diretor contratado, mas com a presença de Worthington confirmada no elenco, as coisas podem andar mais rápido.
Quando o sul-africano Neill Blomkamp se desligou do projeto de dirigir a adaptação cinematográfica do videogame Halo - que ainda existe, previsto para 2012 -, o cineasta e produtor Peter Jackson [a mente por trás de O Senhor dos Anéis] ofereceu US$ 30 milhões para Blomkamp fazer o que quisesse. O que seria o sonho de qualquer cineasta início de carreira [este é o primeiro longa de Blomkamp] nada mais era do que sexto sentido cinematográfico do experiente Jackson. O resultado é Distrito 9, um dos mais novos fenômenos de bilheteria dos EUA, onde faturou US$ 114 milhões. Isso porque dificilmente um filme com indicação R [indicado para maiores de 17 anos] atinge um grande faturamento nos cinemas, como é o caso.
Surpreendentemente parada sobre Johannesburgo – e não em Washington ou Nova York, como outras ficções científicas -, uma gigantesca nave espacial despeja milhares de seres extraterrestres na maior cidade da África do Sul e permanece vinte anos pairando sobre o Distrito 9, como ficou conhecida a área onde os aliens permanecem isolados, em meio a impossibilidade de voltar para casa. Os humanos passam duas décadas sem saber o que fazer com os novos habitantes da cidade que, com o tempo, constroem barracos – como as favelas que tão bem conhecemos – e partem para a marginalidade, roubando tênis e celulares dos humanos – verdadeiros trombadinhas num apartheid intergaláctico. Até que a Agência MultiNacional Unida, criada para “cuidar” desses alienígenas, tem a “brilhante” ideia de realocá-los, construindo tendas a mais de 100 quilômetros de Johannesburgo para isolar mais ainda os visitantes intergalácticos. A situação, que já se encontrava à beira do caos, torna-se incontrolável quando o improvável líder do processo de locomoção, o atrapalhado Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), sofre um acidente.
A premissa de Distrito 9 é baseada no curta-metragem Alive in Joburg (2005), escrito e dirigido por Blomkamp. Foi nesse trabalho que o diretor trabalhou pela primeira vez com Copley, que nem tinha intenções de seguir como ator, mas agradou tanto como o protagonista desta ficção científica que ele será o capitão Murdock da adaptação cinematográfica de Esquadrão Classe A. E nenhum lugar melhor do que a cidade sul-africana – que, até 1994, separava e isolava os negros nos Soweto, bairro de periferia que abriga as favelas da cidade – para ambientar este longa, que ultrapassa as barreiras do gênero “filme de extraterrestres”.
O começo de Distrito 9 é conduzido de maneira documental, com depoimentos e todos os elementos do gênero. O espectador demora a saber o que está acontecendo. E é assim, aos poucos, que Blomkamp conquista a atenção de seu público, criando um clima de tensão que chega a ser palpável. Os alienígenas, apelidados de “camarões”, têm uma aparência que lembra um inseto. Não à toa, em dado momento o filme dialoga com A Mosca, clássico do terror dirigido por David Cronenberg em 1986. São assustadores e completamente convincentes, especialmente pela forma documental como são mostrados. Distrito 9 é tão feliz ao misturar elementos reais aos ficcionais que a tensão é inevitável. As criaturas são convincentes pelo excelente trabalho em CGI do longa, não somente na criação visual dos extraterrestres, mas na forma como eles são inseridos na realidade de Johanesburgo, interagindo com seres humanos.
O filme extrapola seu gênero por construir a tensão social espelhada no real clima de intolerância que tomou conta de Johannesburgo durante o apartheid. O clima, aliás, é provocado não somente pela segregação racial, mas principalmente pela desigualdade social. Mesmo sendo seres de outro planeta, os alienígenas acabam sendo corrompidos pela precária sobrevivência que conseguem levar no Distrito 9, não somente isolados, mas também reprimidos por uma violenta gangue de imigrantes nigerianos que dominam o local, não bastando o fato de estarem impossibilitados de voltar para casa. Assim, não é o fim do apartheid – ou a presença dele em dado momento histórico – que define o tipo de ambiente criado pela presença dos alienígenas na cidade. É, portanto, uma ficção com fortes raízes na realidade, o que o torna único em seu gênero.
Combinando uma boa dose de ironia, drama, excelentes efeitos especiais e um protagonista forte, Distrito 9 faz o quase impossível: tornar acreditável uma ficção científica.
Alguns bandidos exercem certo fascínio, tornando-se figuras notórias. John Dillinger [1903 – 1934] foi um deles. Atuando nos EUA em plena Depressão de 30, tornou-se uma espécie de herói do povo por assaltar bancos numa época em que essas instituições eram responsabilizadas pela crise econômica que assolou o país, um verdadeiro Robin Hood do século 20.
Coube a Johnny Depp (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet) o desafio de dar vida ao ladrão de bancos conhecido pelo porte atlético, o carisma e por conseguir assaltar um banco em menos de dois minutos no longa-metragem Inimigos Públicos. O filme não pretende retratar de forma “quadrada” a vida do personagem, mas sim explorar os acontecimentos que antecederam sua morte, em diversas esferas. O roteiro, escrito por Ronan Bennett, Ann Biderman (Copycat – A Vida Imita a Arte) e Michael Mann (Miami Vice), este último também diretor do longa, interessa-se na forma como o grupo de Dillinger se organizou para atingir a notoriedade que teve, ao mesmo tempo em que explora a vaidade do bandido e o romance com a bela Billie Frechette (Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por Piaf – Um Hino ao Amor).
Paralelamente, Inimigos Públicos também desenvolve a formação do FBI, instituição de combate ao crime criada a fim de tornar mais organizada, digamos, a ação da polícia na captura de bandidos, esses sim realmente organizados. Sob o comando de Melvin Purvis (Christian Bale) – policial obcecado pela captura de Dillinger -, os policiais passam a agir de forma organizada, focando na investigação e no trabalho da inteligência. O foco do longa está em ambos os lados, “mocinhos” e “bandidos”, mas jamais adquire uma posição maniqueísta.
Inimigos Públicos toca em alguns assuntos pontuais nessa criação do FBI: a notoriedade dos bandidos, elevados ao status de celebridades numa época de depressão econômica; a relação da imprensa com ambos os lados da lei; o conflito de vaidades; e, principalmente, a audácia de Dillinger, que chega a conversar com policiais do departamento do FBI criado para sua caça sem ao menos ser reconhecido – momento que reproduz uma das passagens na vida do personagem, por mais absurda que pareça -, criando um retrato bastante interessante. A direção de Mann, com câmera na mão e enquadramentos intimistas – aliada às boas atuações – ajuda a levar o espectador a ter uma visão fora do convencional em se tratando de um tema tão explorado no cinema norte-americano.
A fama de Quentin Tarantino vem de longe. Desde 1992, quando estreou na direção de um longa com Cães de Aluguel, um filme que ainda soa inventivo mais de dez anos depois. Mas, naquela época, ele era mais queridinho de cinéfilos. Hoje, o nome de Tarantino é reconhecido numa esfera mais ampla, principalmente pelo frescor no estilo que ele traz ao cinema moderno. Bastardos Inglórios é seu filme mais maduro e bem resolvido, apoiando-se no excelente texto – uma das marcas do diretor -, mas principalmente pelas atuações marcantes e a complexidade narrativa.
Pegando emprestado o nome em inglês do épico de guerra italiano Quel Maledetto Treno Blindato (1978), Bastardos Inglórios acompanha um grupo de militares norte-americanos que, liderados pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), resolvem matar nazistas na França ocupada, durante a Segunda Guerra Mundial. A premissa é bem simples e parte daquele famoso princípio que os EUA sempre se consideraram policiais do mundo. Aqui, eles também são. Tomando as dores de milhões de judeus que sofriam estando na mira do regime nazista, resolvem partir para o ataque sem maneirar na violência.
Claro, maneirar na violência não é com Tarantino, que leva elementos bem americanos aos territórios europeus neste seu sétimo longa-metragem – como o soldado conhecido como Urso Judeu (Eli Roth), que usa um taco de beisebol para matar nazistas. Aliás, nada mais americano que o sotaque de Brad Pitt, totalmente sulista e extremamente divertido.
O personagem que fica no encalço dos Bastardos é o cínico Coronel Hans Landa (Christoph Waltz), detetive conhecido como “Caçador de Judeus” que age à procura de judeus escondidos na França a serviço da SS. Waltz – ator alemão premiado em Cannes por conta deste seu primeiro papel no cinema norte-americano -, o antagonista, trava um duelo memorável com Pitt, o protagonista. Os personagens estão juntos em cena durante poucas, mas bastante pontuais, cenas do longa. O duelo é principalmente apoiado por excelentes atuações, dando base ao positivo resultado final ao filme. Tanto que é difícil não ficar simpático ao antagonista: Waltz constrói um personagem que, embora conduzido pela crueldade de um regime político como o Nazismo, tem carisma e conquista o público com sua ironia.
O roteiro de Bastardos Inglórios levou dez anos para ficar pronto e esse tempo de maturação é refletido na tela. Tarantino mistura figuras reais – como Adolph Hitler (Martin Wuttke) e Joseph Goebbels (Sylvester Groth) – aos fictícios, criando uma trama ficcional capaz de prender o espectador. E, como já é de praxe, Tarantino mistura cenas de extrema violência ao humor, dando um ar mais palatável, digamos, ao sangue derramado.
Tarantino sempre consegue envolver o público a ponto de fazer com que a platéia torça por seus personagens. Assim como em A Prova de Morte – seu longa anterior, de 2007, que permanece inédito no circuito comercial -, o diretor entrega o que o público quer, culminando num final digno de aplausos. A conclusão de Bastardos Inglórios, aliás, traz uma bela homenagem ao cinema, o que Tarantino já faz ao inserir obras e referências cinematográficas em seus filmes. Mas, no caso de seu mais recente trabalho, as referências a figuras importantes da história do cinema são mais recorrentes e pontuais, como no uso de composições de Ennio Morricone, mestre da trilha sonora.
Que missão o estilista Tom Ford tinha em mãos! Desvencilhar-se da paixão por A Single Man, adaptar com sobriedade para o cinema o melhor livro de Christopher Isherwood e fazer um filme sobre uma história que se passa quase integralmente ou na cabeça do personagem principal ou em suas observações do que ocorre ao redor.
Direito de Amar (que título infeliz!) é um projeto ousado que algumas vezes alcança beleza e transmite o clima psicológico do protagonista. Em outros, é preciosista, truncado e cheio de cacoetes narrativos.
Estamos em 1962. George (Colin Firth) é um londrino cinquentão que dá aulas de literatura em uma universidade de Los Angeles. Desde a morte acidental do namorado Jim (Matthew Goode), há oito meses, vive em completa solidão (daí um dos significados do título original). Acompanhamos um dia de sua jornada, talvez o último, pois ele decidiu se suicidar.
O que mais deu certo em Direito de Amar decorre de uma opção da direção do estreante Tom Ford em parceria com o diretor de fotografia Eduard Grau. Como colocar na tela, sem cair na doentia e viciante verborragia cinematográfica, a falta de sentido da vida de George? Como exprimir que um dia é como o outro, e o próximo, e mais um, todos iguais? Como não abusar da narração em off?
Grau transporta essas nuances para as intensidades das cores, do filtro cinza à película que absorve todo o calor de Los Angeles e o reflete na pele dos atores. Não é apenas firula visual, mas uma escolha estética que ajuda a compor o nosso olhar do filme e entender como George sente quem está próximo de si.
A interpretação de Colin Firth, tão fiel à ironia e ao cinismo do personagem criado por Isherwood, é outro ponto alto de Direito de Amar. Aliás, a presença em cena de Firth ao lado de Julianne Moore, que interpreta sua amiga Charley, enche de humanidade um filme que fala de perda.
Mas, nem tudo que Ford tentou funcionou. Ele conduz o filme com movimentos e enquadramentos clássicos, além de ter tirado o foco de narração psicológica do livro para concentrar a adaptação no sentimento de perda de George e Jim, juntos há 16 anos.
Nenhum problema em mudar o centro das atenções, mas, para tal, a direção abusa de flashbacks para construir a narrativa. As digressões não são orgânicas no filme e os ganchos utilizados para explicar o passado são, digamos, toscos.
Outro recurso exagerado é a trilha sonora. Claro, a música de Abel Korzeniowski é interessante, mas o uso excessivo parece uma necessidade de Ford em realçar sentimentalismo. Puro cacoete.
À parte do título injustamente adaptado (custava estampar Um Homem Só?), Direito de Amar capta alguns bons aspectos do livro que o inspirou, mas, como filme, às vezes escorrega no desenrolar da história, especialmente no início e nos momentos mais dramáticos.
Os irmãos Coen acertaram a mão. Um Homem Sério é uma aula de desenvolvimento de roteiro e um filme que fala de muita coisa, mesmo que, aparentemente, seja sobre nada. O 14º longa-metragem da dupla retoma um Estados Unidos pré-Woodstock e às portas do verão do amor em São Francisco, da psicodelia de Jefferson Airplane e da intensiva norte-americana no Vietnã. Com essas transformações prestes a acontecer, os Coen situam uma família na comunidade judaica, extremamente rígida e fechada em si. O absurdo, o bizarro e o estranho são os principais sentimentos que guiam a história da família Gopnik, liderada pelo professor de física Larry (Michael Stuhlbarg), acompanhado de sua mulher Judith (Sari Lennick), o filho maconheiro (Aaron Wolf), a filha fútil (Jessica McManus), o irmão problemático (Richard Kind) e o amante da sua esposa, Sy (Fred Melamed). Leva tempo para que cada um desses personagens seja desenvolvido, especialmente o pai (que representa o presente) e o filho (o futuro). Não há pressa em mostrar como o mundo de Larry vai ficando cada vez mais sem respostas. Sua ideia do que é ser um homem sério – ter casa, família e emprego – mostra-se falida. Acompanhamos isso com lágrimas nos olhos? Não, porque Um Homem Sério é de certa maneira sarcástico. O humor está sempre lá para transformar o triste em absurdo. Não é à toa que o personagem principal, muito bem interpretado por Michael Stuhlbarg, questiona sempre: “o que está acontecendo?”. Ele não sabe o que passa em sua vida, enquanto nós, que assistimos ao filme, não sabemos as razões das mudanças. Elas acontecem e temos de encará-las. Isso é um dos méritos do filme (que ao mesmo tempo pode afastar quem não entrou nele): Joel e Ethan Coen respondem à tradição do cinema clássico norte-americano de dar respostas a tudo, explicar e amarrar todas as pontas do roteiro com um final anti-resposta. Afinal, a vida de Larry e da comunidade judaica continua, e podemos construí-la nas nossas cabeças, depois do filme. A beleza de Um Homem Sério não é mera mania de crítico de procurar pelo em ovo ou manter uma falsa aura intelectual só porque é um filme assinado por dois grandes roteiristas e diretores vencedores do Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez. É perceber que, depois de 105 minutos procurando respostas ou explicações lógicas para as questões dos personagens, é um filme sobre o imprevisível e o sério da vida. Um ensaio sobre como seguir quando um mundo que parecia perfeito desmorona. Em menor, instância, na vida de Larry Gopnik, o protagonista. Em maior instância, num novo Estados Unidos que se construiria depois dos anos 60.