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Os fans ficaram enloquecidos com este que promete ser o melhor filme da franquia cinematografica adaptada dos jogos da série do Playstation- Residente Evil.

Na trama, Alice continua em sua missão de procurar e proteger todos os sobreviventes que puder encontrar. Com a ajuda de uma velha amiga, ela tenta levá-los para Los Angeles, lugar que acredita ser seguro, até que a cidade é invadida por milhares de mortos-vivos. Agora, Alice deve salvá-los não só dos zumbis, mas também de sua violenta guerra com a Corporação Umbrella.

Com a divulgação da Sony com as imagens do londa e a estreia do trailher, o filme que será em 3D trara um aspecto mais filel com os personagens originais. Nas cenas podemos ver Milla Jovovich (“Ultravioleta”) e Ali Larter (da série “Heroes”), como Alice e Claire, respectivamente. O filme não será conevertido e sim feito inteiro com a tecnologia em 3D.

Quando asssiti pela 1º vez “O Virgem de 40 Anos” confesso que virei um grande fan de Steven Carrel. Sempre achei que ninguem poderia superar Jim Carey, mas pode sim e é Steven Carrel.

“Uma Noite Fora de Série” foi um filme que quando assisti um trailher na hora pensei- “Há mais um filme de Judd Apatow, que bom por que… ele nunca mais fes filme e eu to aguardando à muito tempo um filme dele”- Mas infelizmente não foi desta vez. Tma sim muita cara de Judd Apatow com um roteiro mother fucker de Seth Rogen. Ele que é dirigido por Shawn Levy que é um diretor que está estreiando ai nos cinemas com esse que é um filme no qual eu estou esperando faz um ano, e um roteiro de  Josh Klausner que também está ais estreiando, mas que não faz tanta diferença.

A História parece bem manjada por ser uma comédia onde há confusões de pessoas que só se ferram durante o filme inteiro, mas a sempre uma diferença de um filme para o outro que no caso são os dialogos, o enredo, os atores e o ritimos que o filme rola por que ha filmes na mesma situação que ficam parados o tempo todo,  por ser um filme de comédia o ritimo acelerado tem que estar veloz todo o tempo.

Esse tipo de filme no entanto que mistira um pouco de ação faz realmente sucesso no cinema. O que falta então?- Falta divulgação. A falta de divulgação tem levado muitas comédias ótimas direto para Home Video.

O elenco no entanto não tem defeitos. Os novos atores descobertos para o humor americano tem dado um show nas produções que atuam, entre eles o próprio James Franco que está no filme, outros entanto estão em todos os outros filmes de Judd Apatow- Paul Rudd, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Leslie Mann, Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Emma Stone, Nate Hartley, Troy Gentile, Jesse Eisenberg, Ryan Reynolds, Martin Starr, Bill Hader, Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Ed Helms, Justin Bartha.
Alem de muitos outros atores. Não esquecendo é claro de Tina Fey que alem de uma belissima atriz, está ótima nesse filme.

Todos nós temos dias de fúria ou de “bad hair day”. Acontece. Não é sempre que estamos inspirados para escrever, trabalhar ou simplesmente sair de casa para comprar chuchu.
Marc Lawrence – o mesmo do delicioso “Letra e Música” – parece ter vivido semanas assim quando escreveu e posteriormente dirigiu “Cadê os Morgan?”.
O novo trabalho de Marc Lawrence não é filme. É um chuchu. Nenhuma surpresa, reviravolta, sacada ou novidade na escolha e na interpretação dos protagonistas.
Hugh Grant repete o papel de sempre, tanto na ficção quanto na vida real: o de traidor. Já Sarah Jessica Parker novamente dá vida à personagem que fez sua fama em “Sex and The City”: a de novaiorquina bem-sucedida que estampa capas de revistas. O destaque aqui é o cabelo. Quanta diferença.
Hugh Grant e Jessica Parker formam um casal recém-separado que se torna testemunha de um crime em Nova York. Correndo risco de morte, eles são incluídos no programa de proteção a testemunhas do FBI e obrigados a morar temporariamente no interior dos Estados Unidos – mais especificamente em Ray (Wyoming).
É necessário apenas um Tico e um Teco para adivinhar onde a história vai dar. Mas não é a previsibilidade que incomoda – afinal, é a característica principal das comédias românticas. O grande problema é que depois de uma hora e trinta minutos tentamos entender qual é a do filme. Por quê? Para quem? A troco de quê?
As poucas piadas não resultam em gargalhadas e resumem-se a diálogos afiados que opõem republicanos e democratas.
Quando a personagem de Mary Steenburgen aparece, Jéssica Parker diz: “oh meu Deus, é a Sarah Palin!”. Além disso, alguns moradores de Ray orgulham-se de saber de cor quantos democratas há na cidade: 13.
“Cadê os Morgan?” só não se torna intolerável porque até o nada os americanos sabem filmar muito bem. Conseguir o naturalismo – mesmo que seja no vácuo – não deixa de ser um mérito.

“Estar perto não é físico”, diz o adolescente protagonista do filme, em seu blog. A internet é seu único contato com o mundo. O universo real em que vive é uma comunidade rural alemã, no interior do Rio Grande do Sul. Mr Tambourine Man, como ele se denomina na internet, é fã de Bob Dylan e tem o sonho de assistir o seu show. O pequeno vilarejo começa a tornar-se pequeno para o seu crescimento e as suas descobertas como homem, até que surge na cidade um sujeito misterioso, que o fará reviver lembranças que o atormentam e o ajudará a abrir seus horizontes.
Diretor do vídeo-hit de youtube “Tapa na Pantera”, Esmir Filho foi uma das grandes apostas da produtora Sara Silveira para este ano. E deu certo. O filme estreou no Festival de Locarno, ganhou o prêmio de melhor filme no Festival do Rio, foi exibido no Festival de Berlim e em mais um monte de outros festivais.
Esmir é um cara antenado, que conseguiu colocar elementos de muita identificação com os jovens no seu filme, como a interação dos personagens em blogs, flickr e msn, a forma de colar nas provas da escola, o cabelo de emo, além das características emotivas, de jovens “sozinhos” à procura de um rumo e de encontrar um lugar de identificação na sociedade.
Os Famosos e os Duendes da Morte é baseado no romance homônimo de Ismael Caneppele, que também assina o roteiro e faz o papel do homem misterioso que retorna à cidade após um acidente de alguns anos. A produção é parecida com a de Houve Uma Vez Dois Verões, do Jorge Furtado, só que com a densidade e a angústia permanente dos adolescentes de Paranoid Park, do Gus Van Sant.
A trilha sonora foi composta para o filme, em inglês, o que demonstra a visão dos produtores, de pegar um filme independente, mas muito bem cuidado, para distribuir para o mercado externo. Tomara que consiga, porque o filme é digno de todos os prêmios e boas críticas que tem recebido.

Algumas pequenas falhas de continuidade, como a cena do carro atravessando uma pequena ponte, que ali parecia interminável, ou incoerente do conjunto fotografia/maquiagem, que faz questão de frisar as espinhas do protagonista nos momentos de florescer da adolescência (momentos oportunos), mas esconde-os na maioria das cenas, deixando o menino com a pele de neném. Tudo bem que filmar com adolescentes é um problema porque, num belo dia, o rosto amanhece cheio de espinhas, mas das duas uma: ou assumia as acnes ou as escondia por todo o filme, já que elas podem complementar a leitura do filme.
Mas são falhas muito pequenas diante da delicadeza do tema, da linda fotografia – que alterna poesia e modernidade, do roteiro, da direção e das interpretações encantadoras, tanto dos jovens quanto dos avós do protagonista, naturais e tímidos. Até o mistério, foco da primeira metade de filme, é revelado com naturalidade, numa conversa ótima entre o Mr Tambourine Man e seu amigo Diego.
Os Famosos e os Duendes da Morte é uma das melhores surpresas deste ano. Extremamente simpático e original.

Paul Haggis fez escola. Essa é a sensação ao término de “Atraídos pelo Crime”, já que é inevitável a semelhança entre o novo longa de Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento” e “Rei Arthur”) e a obra que levou o Oscar de melhor filme em 2006, “Crash – No Limite”. Além de retratarem várias histórias ao mesmo tempo que se passam em grandes centros urbanos americanos, os dois sofrem do mesmo mal: são prejudicados pela grande pretensão que possuem. Na verdade, a película de Fuqua mais parece uma inspiração da trama protagonizada por Matt Dillon em “Crash”, com seus policiais corruptos e sempre em situação de tensão. Mas se há algo que os diferencia, isso é a direção talentosa de Haggis e a mensagem mais explícita de seu roteiro. Nesses quesitos, aliás, “Atraídos pelo Crime” perde feio.

O longa, pelo menos, procura reduzir o número de personagens. Aqui, temos apenas três protagonistas, todos policiais do bairro nova-iorquino do Brooklyn. O primeiro a nos ser apresentado é Sal (Ethan Hawke), que, depois de uma conversa sobre o que é certo e errado, mata um homem para roubar o seu dinheiro. Pai de família com quatro filhos e com mais dois à caminho, ele está desesperado para tirar sua esposa do aperto e do perigoso mofo de sua atual casa. Quer comprar uma nova propriedade, dar conforto para os filhos. No entanto, o salário de policial impossibilita seu sonho, e o meio mais fácil para conseguir grana é escolhido.

Já Tango (Don Cheadle) convive há dois anos com criminosos. Escalado para se infiltrar em uma gangue que domina o tráfico de drogas na região, ele acabou se confundindo. Não sabe mais se é mocinho ou bandido. A corporação, porém, quer lhe dar uma chance: ele será promovido caso consiga provas que levem Caz (Wesley Snipes), um perigoso traficante, de volta à prisão. O problema é que o bandido é seu amigo, tendo-lhe até salvado a vida uma vez, o que dificultará sua escolha.

Enquanto os dois ainda devem ter anos de profissão pela frente, Eddie (Richard Gere) conta os dias para se aposentar. Ele está há uma semana de se livrar do pesadelo diário que enfrenta ao vestir o uniforme, carregar a arma e rondar as ruas do bairro. Pensa regularmente em se matar, mesmo que com uma pistola sem balas. Não tem família, nem amigos. A  pessoa com quem possui uma relação mais próxima é uma prostituta que visita eventualmente. Bebe compulsivamente. E como se não bastasse, ainda é selecionado para ajudar novos policiais em seu ofício. Função pior não poderia haver.

Investindo nos dilemas rotineiros enfrentados pelos policiais do Brooklyn, “Atraídos pelo Crime” traz uma primeira impressão positiva. Diante de tantos filmes policiais voltados apenas para a ação, esse parece ser um drama denso que explicita as dificuldades na vida dos responsáveis por proteger diariamente a vida dos americanos. Com o desenvolvimento da história, no entanto, o que vemos é lamentação atrás de lamentação, nunca sendo devidamente mostrados os motivos que fazem esses policiais se envergonharem do que são.

Os três protagonistas já são apresentados em uma situação limite, e o passado deles permanece nebuloso. Eddie parece ser um depressivo sem motivos, Tango tem uma trama confusa de envolvimento com o tráfico, e Sal é acometido por um estress ininterrupto. O roteiro do estreante Michael C. Martin, enfim, se perde em suas intenções. A profundidade de seus personagens é a meta, mas os fatos são tantos e tão comuns, que nunca chegamos a conhecê-los apropriadamente. Diálogos reveladores poderiam ser a saída, mas eles simplesmente não acontecem.

Assim como a maioria dos filmes com tramas múltiplas, a impressão aqui é de que, se desenvolvidas separadamente, em uma película dedicada apenas para si, as histórias renderiam uma bela fita. A trama de Tango, particularmente, poderia ter sua conturbada relação com a esposa desenvolvida, assim como o seu gradual envolvimento com o tráfico. Em vez disso, o roteiro aposta na inclusão de chefes de polícia arrogantes em seu trabalho e no nascimento de uma nova gangue que pretende tirar o grupo liderado por Caz do “poder”. Com potencial para ser a melhor do longa, a história é prejudicada pelo destino comercial que o enredo acaba lhe rendendo.

O desfecho, aliás, não poderia ser pior. Da necessidade de dar um ponto final ao que criou, Michael C. Martin se entrega a velhas fórmulas hollywoodianas no terço final do filme, desesperado por uma conclusão trágica que dê a devida proporção aos dramas que seus personagens vinham passando. Além disso, ainda trata de interligar desnecessariamente os protagonistas, transformando uma rua do Brooklyn num palco de horror. Um final em aberto não consertaria o filme, mas seria a opção mais acertada para um longa que pretende retratar a rotina complexa de policiais do Brooklyn.

O diretor Antoine Fuqua também contribui para o aumento da pretensão de “Atraídos pelo Crime”. Com uma trilha sonora sempre presente, ele aposta nas mensagens politicamente incorretas do roteiro e dá densidade ao filme. Algumas sequencias funcionam, como a tensa cena inicial. Em outras, ele exagera, principalmente ao optar pela câmera lenta. Fuqua chega até a se perder um pouco no ritmo, prejudicado pela edição falha da fita, que esquece o personagem de Ethan Hawke durante longos minutos, mas retoma a velocidade do meio para o final do filme.

No elenco, os grandes nomes têm resultados distintos. Ethan Hawke, no seu segundo trabalho com o diretor, surge acima do tom em muitas cenas. Richard Gere, que tenta cada vez mais desvincular sua imagem de filmes românticos, traz justamente a sensibilidade que adquiriu ao longo dos anos, mas esquece a intensidade que um policial precisa ter, mesmo que perto da aposentadoria. Já Don Cheadle é o melhor dos três, com sua discrição e capacidade de fazer boas cenas de ação. Ele divide a tela com um surpreendente Wesley Snipes.

Contando com um roteiro que peca pela sua pretensão, “Atraídos pelo Crime” é mais um daqueles filmes que parecem mais complexos do que realmente são. No entanto, sobram fatos e falta profundidade. Paul Haggis realmente tem seguidores fiéis que tentam copiar o seu cinema a todo custo. Falta-lhes apenas mais talento para dirigir e enganar melhor o público e a crítica.

Um roteiro que mudou a forma de se escrever filmes em Hollywood.

JULES
Ok, e então, me fale dos bares de maconha?
VINCENT
Ok. O que você quer saber?
JULES
Bem, baseado é permitido lá, certo?
VINCENT
Sim, é permitido, mas não é 100% legal. Quero dizer, você não pode entrar num restaurante, enrolar a erva, e começar a fumar sua porra. Você supostamente só pode fumar na sua casa ou em certos lugares designados.
JULES
Esses são os bares de maconha?
VINCENT
Sim, funciona assim, ok: é legal comprar, é legal você possuir, se você for o dono do bar de maconha, é permitido vender. É permitido carregar consigo, o que não importa de qualquer maneira, porque – presta atenção nisso, se um policial parar você, é ilegal ele te revistar. Baculejar você é um direito que a policia de Amsterdam não tem.
JULES
Oh man, eu vou lá, é só o que tenho que fazer. Puta que pariu que vou.
VINCENT (rindo)
Você tem que ir! Mas sabe o que é mais curioso sobre a Europa?
JULES
O que?
VINCENT
São as pequenas diferenças. Muitas coisas que a gente tem aqui, eles tem lá, mas lá são um pouquinho diferente.
JULES
Exemplo?
VINCENT
Bem, em Amsterdam, você pode comprar uma cerveja no cinema. E eu não to falando de copos de plásticos, estou falando de copos de vidro. Em Paris, você pode pedir uma cerva no MacDonald’s. Você sabe como eles chamam o Quarterião com Queijo em Paris?
JULES
Eles não chamam de Quarteirão com Queijo?
VINCENT
Não, por causa do sistema métrico deles, eles não sabem que porra é quarteirão.
JULES
Como eles chamam?
VINCENT
Eles chamam de Royale with Cheese.
JULES (repetindo)
Royale with Cheese. Como eles chamam o Big Mac?
VINCENT
Big Mac é Big Mac, mas eles afrescuram para Le Big Mac.
JULES
Le Big Mac. (risada) Como eles chamam o Whopper?
VINCENT
Não sei, não fui no Burger King. Mas você sabe o que eles põem nas batatas fritas na Holanda em vez do ketchup?
JULES
O que?
VINCENT
Maionese.
JULES
Minha nossa!
VINCENT (rindo)
É sério, eu vi. E não falo de um tiquinho no cantinho do prato, eles afogam a porra da batatinha naquela merda.
JULES

Uuccch!

Quentin Jerome Tarantino (Knoxville, 27 de março de 1963) é um diretor, ator e roteirista de cinema dos Estados Unidos da América. Ele alcançou a fama rapidamente no início da década de 1990 por seus roteiros não-lineares, diálogos memoráveis e o uso de violência que trouxeram uma vida nova ao padrão de filmes norte-americanos.

Ele é o mais famoso dos jovens diretores por trás da revolução de filmes independentes dos anos 90, tornando-se conhecido pela sua verborragia, seu conhecimento enciclopédico de filmes, tanto populares, quanto os considerados “cinema de arte”.

Fatos Biograficos

Tarantino nasceu no Tennessee. Seus pais eram Tony Tarantino, ator e músico de ascendência italiana, e Connie McHugh, descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino mais tarde viria a formar fortes laços afetivos.

Tarantino iniciou seus estudos na região de San Gabriel Valley, em 1968. Em 1971, sua família mudou-se para El Segundo, ao sul de Los Angeles, onde passou a freqüentar a Hawthorne Christian School. Ao sair da Narbonne High School, em Harbor City, Califórnia, aos 16 anos, iniciou os estudos em atuação na James Best Theatre Company.

Aos 22 anos escreveu seu primeiro roteiro, Captain Peachfuzz and the Anchovy Bandit. Em 1984, Tarantino começou a trabalhar como balconista na Video Archives, uma famosa locadora de filmes em Manhattan Beach; lá se tornou amigo de Roger Avary, um colega de trabalho com quem mais tarde viria a colaborar em Pulp Fiction. Ele continuou seus estudos em atuação na Allen Garfield’s Actors’ Shelter, em Beverly Hills, mas passou a se dedicar principalmente a escrever roteiros.

A venda de True Romance, lançado em 1993, o tirou do anonimato. Ele conheceu Lawrence Bender numa festa em Hollywood, e Bender incentivou Tarantino a escrever um filme. O produto final dessa conversa foi Reservoir Dogs/Cães de Aluguel (1992), um filme inteligente, estiloso e violento, que definiu o tom de seus filmes seguintes. O script foi lido pelo diretor Monte Hellman, que ajudou a levantar fundos junto à Live Entertainment, bem como garantir o lugar de Tarantino na direção do filme. Harvey Keitel ouviu falar do roteiro através de sua esposa, que foi colega de Lawrence Bender. Ele leu o roteiro e também contribuiu com investimentos, assumiu o papel de produtor executivo, e um personagem no filme.

Quentin Tarantino e George Clooney são os irmãos Gecko em From Dusk Till Dawn/Um drink no inferno (1996). Seguindo o sucesso de Cães de Aluguel, Tarantino foi abordado por Hollywood e recebeu propostas para dirigir vários projetos, incluindo Velocidade Máxima e Homens de Preto. Em vez disso, ele se recolheu em Amsterdã para trabalhar em seu roteiro para Pulp Fiction. Quando foi finalmente lançado, o filme ganhou a Palme d’Or (Palma de Ouro) no Festival de Cannes de 1994 e, junto com Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderbergh e Roger e eu, de Michael Moore, revolucionou a indústria de filmes independentes, mostrando que estes filmes também são rentáveis. Pulp Fiction é um filme de roteiro complexo e inteligente, com enfoque bastante violento. O filme ficou conhecido pelas aclamadas atuações de seu elenco e, ainda, por ressuscitar a carreira de John Travolta. Pulp Fiction também rendeu a Tarantino e Avary o Oscar de Melhor Roteiro Original, além da indicação na categoria de Melhor Filme.

Depois de Pulp Fiction, ele dirigiu o quarto episódio da série Four Rooms, The Man from Hollywood, um remake de um espisódio de Alfred Hitchcock Presents estrelado por Steve McQueen. Four Rooms é uma colaboração entre Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e o próprio Tarantino.

O filme seguinte de Tarantino foi Jackie Brown (1997), uma adaptação de Rum Punch, um romance de seu mentor Elmore Leonard. Uma homenagem ao gênero blaxploitation, foi estrelado por Pam Grier, que trabalhou em diversos filmes do gênero nos anos 70. Tarantino decidiu, então, produzir o filme Inglorious Bastards. No entanto, ele adiou o projeto para escrever e dirigir Kill Bill, lançado em duas partes, Vol. 1 e Vol. 2, um filme estiloso, com temática de vingança, filmado com a influência do Wuxia (filmes chineses de artes marciais), filmes japoneses, filmes de faroeste e filmes de terror italianos ou giallo. O filme é baseado numa personagem chamada A Noiva, que Tarantino criou conjuntamente com a atriz principal deste filme, Uma Thurman, durante as filmagens de Pulp Fiction.

Em 2004, Tarantino voltou a Cannes no papel de presidente do júri. Kill Bill não estava concorrendo, mas foi exibido na noite de encerramento, na sua versão original, com mais de três horas de duração. Enquanto desempenhava a função de presidente, a Palme d’Or foi para o filme Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, desconsiderando a insistência de Tarantino em que o prêmio deveria ir para o filme Oldboy.

Tarantino foi creditado como “diretor convidado especial” por dirigir a seqüência do carro entre Clive Owen e Benicio Del Toro do sucesso neo-noir Sin City.

Em 24 de fevereiro de 2005, foi anunciado que Tarantino dirigiria o episódio final da série CSI. O episódio de duas horas, Grave Danger, foi ao ar em 19 de maio, com audiência recorde e sucesso nas críticas.

Apesar de Tarantino ser mais conhecido por seu trabalho atrás das câmeras, ele também apareceu na primeira e na terceira temporadas da série de televisão Alias.

Em 2005, anunciou que seu atual projeto chama-se Grind House, que ele está co-dirigindo com Robert Rodriguez. Ele também anunciou que “provavelmente” dará continuidade a Inglorious Bastards depois deste projeto, mas que precisaria de cerca de um ano trabalhando no roteiro antes de filmar.

Entre seus recentes créditos como produtor, estão o filme de terror O Albergue, que inclui referências a Pulp Fiction; a adaptação de Killshot, de Elmore Leonard; e Hell Ride escrito e dirigido pela estrela de Kill Bill, Larry Bishop.

Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes, incluindo Tim Roth (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Four Rooms), Harvey Keitel (Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn), Uma Thurman (Pulp Fiction, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2), Michael Madsen (Reservoir Dogs, Kill Bill: Vol. 1, Kill Bill: Vol. 2, Sin City), Steve Buscemi (Reservoir Dogs, Pulp Fiction), Bruce Willis (Pulp Fiction, Four Rooms, Sin City, Grindhouse) e Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Vol. 2).

Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua “musa”. Entretanto, Tarantino nunca se casou e não tem filhos.

Estética

Os filmes de Tarantino são conhecidos por seus diálogos afiados, cronologia fragmentada e sua obsessão pela cultura pop. Comumente, são vistos como graficamente violentos e, em seus filmes Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill, há uma enorme quantidade de sangue jorrando.

Marcas fictícias como os cigarros ”Red Apple” e a lanchonete “Big Kahuna Burgers”, de Pulp Fiction, apareceram depois em vários filmes, como Four Rooms, Um drink no inferno e Kill Bill. O diretor também é conhecido por gostar de cereais matinais, que aparecem constantemente em seus filmes, com marcas como “Fruit Brute” em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e “Kaboom” em Kill Bill.

Outra caracteristica refere-se as cenas de diálogos em que a camera se localiza dentro do porta-malas de um carro.

Mundo Paralelo

Através dos roteiros de Quentin Tarantino é possivel notar que as histórias se passam num mundo paralelo e que os personagens de seus filmes possuem elos entre si. Um exemplo disso são os irmãos Vega, Vicent Vega aparece em Pulp Fiction, já seu irmão Vic Vega é presente em Cães de Aluguel.

Fãs mais fervorosos criam teorias a respeito de outros personagens, como é o caso de Rufus em Kill Bill vol.2 (Samuel L. Jackson) que consideram ser Jules Winnfield (também interpretado por Samuel L. Jackson) de Pulp Fiction, porém vivendo uma nova vida, com outro nome, em El Paso.

Influencias

Tarantino ficou conhecido como cineasta por seu conhecimento enciclopédico de filmes, críticas de cinema e história do cinema. Particularmente, ele tem um vasto conhecimento de filmes estrangeiros, filmes de gênero e filmes pouco conhecidos. Ele se declara um fã de filmes de ação de Hong Kong, filmes de faroeste, filmes de terror italianos, filmes da nouvelle vague francesa, e cinema britânico. Sua paixão por estes estilos de cinema se reflete em seus trabalhos — todos os seus filmes fazem referências a outros filmes ou gêneros diferentes de cinema, em seu estilo, histórias ou diálogos. Certa vez, ele resumiu tudo isso dizendo “Eu nunca freqüentei a escola de cinema. Eu freqüentei o cinema”.

Na eleição de 2002 do Sight and Sound Directors, Tarantino revelou sua lista de doze melhores filmes de todos os tempos:

  1. The Good, the Bad and the Ugly
  2. Rio Bravo
  3. Taxi Driver
  4. His Girl Friday
  5. Rolling Thunder
  6. They All Laughed
  7. The Great Escape
  8. Carrie
  9. Coffy
  10. Dazed and Confused
  11. Five Fingers of Death
  12. Hi Diddle Diddle

Uma lista anterior dos melhores filmes de Tarantino também incluía Blow Out; One-Eyed Jacks; Per qualche dollaro in più; Bande à part; Breathless, a refilmagem de Acossado de Goddard; Le Doulos, They Live by Night e The Long Goodbye.[carece de fontes?]

Tarantino também cita Taxi Driver e Mean Streets, de Martin Scorsese, bem como Dawn of the Dead, de George A. Romero, como fortes influências.

Criticas

Tarantino vem sendo criticado pelo uso de temáticas racistas em seus filmes, especialmente a palavra nigger (negro) em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, principalmente pelo cineasta negro Spike Lee. Numa entrevista à revista Variety, Lee disse: “Eu não sou contra o termo… e eu o uso, mas Tarantino é obcecado pela palavra. O que ele quer? Ser considerado um negro honorário?”

Um exemplo bastante citado é uma cena de Pulp Fiction, na qual o personagem Jimmie Dimmick, representado pelo próprio Tarantino, recrimina o personagem de Samuel L. Jackson, Jules Winnfield, por usar sua casa como um “depósito de negros mortos”, seguido por um discurso no qual ele utiliza a palavra exaustivamente. Lee faz uma referência direta a este fato em seu filme Bamboozled, quando o personagem Thomas Dunwitty diz: “Por favor, não se ofenda por eu falar a palavra “nigger”. Eu tenho uma esposa negra e três filhos mestiços, então eu acho que tenho o direito de usar essa palavra. Eu não ligo pra o que Spike diz. Tarantino está certo. “Nigger” é apenas uma palavra.”

Tarantino se defende afirmando que o público negro aprecia seus filmes, e que Jackie Brown, outro exemplo bastante citado, foi feito principalmente para audiências negras: “Para mim, este é um filme de negros. Foi feito para o público negro, inclusive”.

Tarantino também é criticado por plagiar idéias, cenas e até diálogos de outros filmes. Por exemplo, a idéia geral do roteiro de Cães de Aluguel parece ter sido tirada do filme City of Fire, de Ringo Lam, e The Killing, de Stanley Kubrick, enquanto a idéia de criminosos nomeados por cores tenha sido retirada de The Taking of Pelham One Two Three. A versão de Don Siegel de The Killers influenciou as seqüências de abertura e encerramento de Pulp Fiction, e a cena da injeção de adrenalina lembra bastante uma história contada por Scorsese no documentário American Boy: A Profile of: Steven Prince. Além disso, a história de True Romance é praticamente a mesma de Badlands, de Terrence Malick.

Alguns dos diálogos de Tarantino, como o famoso discurso bíblico de Samuel Jackson em Pulp Fiction, foram trazidos de outros filmes. Por exemplo, em Karate Kiba (Combate Mortal, no Brasil), filme japonês da década de 1970 estrelado por Sonny Chiba (que mais faria uma ponta em Kill Bill como Hattori Hanzo), possui no texto introdutório da película o mesmo versículo recitado pelo personagem de Jackson.

Filmografia

Como diretor

Como roteirista

Como ator

  • 1987 – My Best Friend’s Birthday…. Clarence Pool
  • 1992 – Eddie Presley…. atendente do asilo
  • 1992 – Cães de aluguel…. Mr. Brown
  • 1994 – The Coriolis Effect (voz)…. Panhandle Slim
  • 1994 – Pulp Fiction – Tempo de violência…. Jimmie Dimmick
  • 1994 – Sleep With Me…. Sid
  • 1994 – Somebody to Love…. bartender
  • 1995 – Destiny Turns On the Radio…. Johnny Destiny
  • 1995 – Grande Hotel (segmento: O homem de Hollywood)…. Chester
  • 1995 – A Balada do Pistoleiro…. rapaz na pick-up
  • 1995 – Dance Me to the End of Love…. noivo
  • 1996 – Um Drink no Inferno…. Richard Gecko
  • 1996 – Girl 6…. Q.T
  • 1997 – Jackie Brown (voz – não creditado)…. voz da secretária eletrônica
  • 2000 – Little Nicky, um diabo diferente…. diácono
  • 2001 – Alias (série de TV)…. McKenas Cole
  • 2007 – Planeta Terror
  • 2007 – À Prova de Morte
Como produtor

Curiosidades

Curte dançar que nem John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction”?  Uma mulher vestida com um macacão amarelo é seu fetiche? Procura o significado da música “Like a Virgin”? Deixou de ler histórias do Super-Homem depois que assistiu a “Kill Bill – Volume 2”? Então considere-se um fã do cinema de Quentin Tarantino. Mas você sabe tudo sobre a carreira desse diretor?

Se a resposta for não, então, take it easy, porque o A02 mostra pra você as maiores curiosidades dos filmes e da carreira desse cara. Como diria NanyB, “segue o passo”.

- Diga o nome Oliver Stone (“The Doors”, “JFK”) na frente de Quentin Tarantino e você vai vê-lo ficar furioso. Tudo porque o seu roteiro para “Assassinos por Natureza” não tem nada a ver com o filme homônimo dirigido por Stone. Segundo Tarantino, toda a obra, do começo ao fim, foi alterado sem sua autorização.

- O trecho da Bíblia (“Ezequiel 25:17”) que Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) diz sempre que vai dar uma lição de moral em “Pulp Fiction” na verdade não existe. Este texto é uma coletânea de vários versículos do livro.

- Tarantino foi presidente do júri do Festival de Cannes de 2004. No mesmo ano, “Kill Bill” foi exibido no festival francês, direto e sem cortes. Foram mais de três horas de sangue jorrando na tela.

- A divisão em dois volumes de “Kill Bill” teve uma razão: O “Volume 1” é mais visual (e sangrento), enquanto o “Volume 2” foi todo concentrado em diálogos (mas não deixou de ser sangrento).

- Além de ter salvo a carreira de John  Travolta, Tarantino só incluiu a cena de dança em “Pulp Fiction” após o ator ter aceito o papel.

- “Bastardos Inglórios” é o primeiro filme de Tarantino em um grande estúdio (a Universal Pictures) e também é o primeiro a não ter um ator decadente no elenco (tudo bem que Mike Myers não está nos melhores dias depois do sofrível “Guru do Amor”, mas não chega a ser considerado decadente).

- Em “Sin City”, Tarantino aceitou o convite de Robert Rodriguez e dirigiu uma sequência da adaptação da grafic novel de Frank Miller. Mais exatamente, a cena em que Clive Owen conversa com o “morto” Benício Del Toro dentro do carro. Tarantino para esta participação cobrou o valor simbólico de 1 dólar, que foi uma retribuição camarada para Rodriguez, que compôs a trilha sonora de “Kill Bill” e cobrou o mesmo valor pelo trabalho.

- As trilhas sonoras de seus filmes sempre têm diálogos inseridos entre uma faixa e outra.

- Em 2005, o diretor dirigiu o último episódio da temporada de “CSI”. O programa foi recorde de audiência.

- Todos seus filmes têm ligações:

Vic Vega (Michael Madsen), de “Cães de Aluguel”, é irmão de Vicent Vega (John Travolta), de “Pulp Fiction”;
O restaurante Jack Rabbit Slims, de “Pulp Fiction”, é citado em “Jack Brown” e “Kill Bill”;
Em “Pulp Fiction”, Mia Wallace (Uma Thurman), conta que gravou um piloto de uma série que não deu certo. Essa série contaria a história de três mulheres que trabalhavam como assassinas profissionais para um homem misterioso. Em “Kill Bill”, A Noiva fazia parte de um grupo de mulheres homicidas comandadas por Bill.

 

 

Olá para todos vocês.

Já faz um tempo que eu não post nenhum Homenagem ao Diretor e desta vez eu vou falar de um diretor que eu conheci a pouco tempo, mas todos os filmes dele me conquistou por seu carater e suas idéia perfeitas que se encaixam em cada produção.

Homenagem ao Diretor

Esmir Filho

Marcada por um trabalho de repercussão extrema via YouTube (Tapa na Pantera) e por duas presenças em Cannes (com Alguma Coisa Assim em 2006 e, agora, com Saliva), a obra de Esmir Filho pede neste instante não um julgamento prematuro, mas sim olhos atentos a esses seus primeiros passos. Em outras palavras, ver de que maneira e para onde esse cineasta está caminhando com sua criação, sem tentar lhe registrar uma identidade, um RG autoral. Uma observação antes de uma decretação.

De seu primeiro curta, Ato II Cena 5, de 2004 (co-dirigido com seu colega de Faap, Rafael Gomes, assim como Tapa na Pantera), ao recém-saído do forno Saliva, há uma evidente busca por melhorias, por estruturar mais solidamente a narrativa, construir melhor a relação entre espaço e personagens, utilizando com mais habilidade os recursos cinematográficos a fim de criar sentidos através das imagens. Entre um e outro, algum exercício de aquecimento, como em Vibracall (2006) — teste de montagem sem diálogos, em três minutos — e mesmo em Tapa na Pantera, teste de atuação em estado bruto.

Algumas recorrências estão nessa argila em modelagem. Como a atenção ao universo intimista dos personagens. Uma opção que traz ao conteúdo dramatúrgico dos filmes algumas questões relacionadas à contemporaneidade, como a fugacidade da experiência humana (a bela seqüência da danceteria de Alguma Coisa Assim – foto no topo da página), a incomunicabilidade entre sexos (no mesmo filme) ou a presença tecnológica (que ganha funções “orgânicas” em Vibracall, em que duas garotas reutilizam o celular como um discretíssimo vibrador em sala de aula – foto acima).

Essa recusa pelo nacional, em se registrar algo do “mundo real”, coincide com um afastamento do naturalismo, algo patente desde o primeiro filme, Ato II Cena 5, na sua extrema teatralização dos enquadramentos e atuações. Daí ser coerente a esse projeto de cinema anti-naturalista uma predileção pela montagem que cria sentidos na costura dos planos, e menos nos planos longos – ainda que estes componham alguns dos “experimentos” de Esmir em sua ginástica preparatória. São freqüentes a fotografia com filtros, os desfocos, os movimentos chicoteados de câmera e a forte marcação de cena (marca de um cinema previamente idealizado, e, neste caso de Esmir, menos teatral que próxima de um cinema tableau como o de Jean-Pierre Jeunet, com Ímpar-Par (2005) como melhor exemplo).

Nessa forte preparação prévia do que será o filme, há entretanto um problema de foco. Em Ímpar-Par, o problema se faz colossal, pois há uma introdução inicial, salpicando vários personagens inúteis, que adia a ida ao centro do curta: o jogo (anêmico, diga-se) entre o protagonista sapateiro e sua amada. Essa ausência de foco samba junto a uma falta de concisão em seu cinema, o que faz com a repetição de planos impere sobre a fluidez – caso de Vibracall, que, apesar de curtíssimo, não cria fluxo na repetição ad nauseam de planos ilustrando o orgasmo que está para tomar conta da mocinha. Esse reforço da informação trazida pela imagem por via da repetição se faz crucial naquela que é a maior recorrência dessa meia dúzia de curtas: o discurso oral. Uma contradição a ser discutida, pois se é evidente o esmero visual dos dois últimos filmes de Esmir Filho, os diálogos ou vozes sobrepostas assumiram na inversa proporção.

Um jovem cineasta tateando procedimentos para seu cinema narrativo? Talvez, mas não podemos deixar de lado algo que o próprio disse sobre seu projeto de cinema em entrevista dada à Cinética durante o 11º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que é manter “um maior apelo de público”, manter a autoria sem perder a comunicação com a platéia. O resultado é arriscado, pois em Tapa na Pantera (acima), verbo tomando corpo na tela, o único interesse está no conteúdo da fala e no acting de Maria Alice Vergueiro, nada além. Em Alguma Coisa Assim e Saliva, essa mescla de cinema narrativo (na dramaturgia) e experimental (na palheta visual), ou seja, esse acuro da imagem poluído pela falta de foco e, pior, pela pesada malha de falas (falas estas “naturalistas”!), torna-se dramática.

O filme de 2006 tem a melhor seqüência filmada por Esmir Filho até esse momento: a da danceteria. Um momento sublime, indicador do norte para o qual Esmir Filho pode apontar seu cinema. Aqui, os dois amigos, Caio e Mari, vão à pista acompanhados por uma câmera que, diferentemente dos tableau de outrora, está junto a eles, ora chicoteando com a montagem sintonizada com a pulsação sonora, ora observando a errância de Mari naquele lugar e captando o semblante frustrado da mesma quando ela, apaixonada, vê o amigo gay Caio beijando outro cara. Temos, aqui, um parentesco distante com o cinema asiático, um tanto da disco que Beto Brant filmou em O Invasor, mais um pouco do eficiente padrão nightclub dos filmes americanos. Eles saem da discoteque e Esmir enfatiza o que estava óbvio minuto atrás: que Mari gosta de Caio. Haverá uma longa seqüência num supermercado (acima), com forte marcação, vários planos do rosto de Mari frustrada e derretida e um blablablá sem fim que reescreve aquilo que já estava traçado desde a primeira (também boa) seqüência do filme, quando ambos correm pelas ruas por entre os carros e rasgando a calçada na correria. O que segura o filme até o final é a presença da solar Caroline Abras.

Em Saliva não é muito diferente. O começo parece uma (boa) videoarte, meio um filme de Arthur Omar, com câmera colada na pele da garota de 12 anos, que tateia o espelho embaçado e deixa sua saliva nele. Aqui está um diretor manipulador da imagem, criando texturas e dando, efetivamente, algo acqua, refrescante, por via da luz, coisas mostradas. Saberemos, a seguir, graças a uma série de diálogo tanto canhestros, que ela dará seu primeiro beijo de língua num menininho de sua idade. O filme alternará imagens pretéritas dela com a amiga mais velha ensinando-a como beijar e sua ida, titubeante (ela tem nojo, o filme não cansa de mostrar e fazer ouvir). Chegando o momento, há um oceano de imagens redundantes que metaforizam o primeiro encontro de lábios da pequena.

Que fique claro, se ambos os filmes passassem por um filtro que retivesse imagens em excesso e algumas falas que, longe da poesia, cumprem o pior lado do didatismo dramatúrgico, haveria mais dois belos curtas brasileiros. Saliva, por exemplo, usa a profundidade de campo do shopping Eldorado, em São Paulo, com estruturas metálicas e uma luz esbranquiçada, não resultando num fetichismo estético, mas comentando a pureza daquele momento em que a menininha será algo entre um anjinho e uma mulher. Se a falta de foco e segurança toma de redundância os filmes de Esmir Filho ou se, de fato, ele acredita nesse seu projeto de cinema híbrido e tanto “engordurado” nas imagens, isso é algo cuja resposta estará no tempo — e nos filmes. Pelo ótimo fluxo visual da primeira metade de Alguma Coisa Assim, pode-se dizer que os seis curtas de Esmir Filho são como um avião que decola sem rota de vôo ou sob o peso de uma enorme âncora encalhada na pista. Ou seja, há uma aeronave com fortes motores para se voar alto.

Seu novo longa está sendo já considerado uma obra prima

Os Famosos e os Duendes da Morte

Mais informações do longa no site oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/osfamososeosduendesdamorte/

Desde 1978, com o lançamento de Superman – O Filme, nós passamos a acreditar que o homem pode voar. Mas isso não nos impede de ficar maravilhados a cada novo voo. A adrenalina, a emoção, o sentido táctil de passar as mãos nas nuvens, tudo isso continua encantando o ser humano e é apenas um dos pontos positivos de Como Treinar o seu Dragão (How to Train your Dragon, 2010), nova animação da Dreamworks (Shrek, Kung Fu Panda), que mais uma vez aposta – e acerta! – no 3D estereoscópico.

A história do garoto Soluço (Jay Baruchel) é resumida logo no começo do filme, quando sua aldeia é atacada por dragões, que passam por ali, saqueiam, destroem e levam embora suas ovelhas. Ele é franzino, meio atrapalhado até, e tenta a todo custo ajudar na árdua tarefa de manter aquelas lagartixas aladas cuspindo fogo longe nos seus telhados. Mas a cada nova tentativa, ele só piora a situação, o que faz dele motivo de piada entre os outros adolescentes e preocupação para os demais adultos.

Em um dos ataques, Soluço acerta um Fúria da Noite, um dragão negro que voa quase invisível entre as estrelas e jamais erra seu alvo. Seria a glória de qualquer viking voltar para casa carregando uma cabeça deste dragão. Mas o garoto não consegue. Ele não é um matador de dragões. Porém, deste ato de compaixão nasce uma inédita amizade entre humano e dragonídeo, que vai levar o menino a entender os hábitos dos temidos animais e a domá-los.

O problema agora passa a ser outro: como contar para os carrancudos e truculentos vikings adultos o seu segredo? Como convencê-los de que tudo o que eles sabem sobre os dragões estava errado? Pode não ser a mais inovadora das histórias, mas nas mãos dos competentes diretores Chris Sanders e Dean Deblois, a aventura ganha tons dramáticos até então inéditos nas animações da DreamWorks, algo “pixariano”, diria.

Isso sem jamais esquecer do visual, que mais uma vez é impecável. Vendo as explosões, os fogos que saem dos dragões e queimam tudo, os voos e os mergulhos, até parece que as empresas especializadas em computação gráfica escolhem seus filmes baseado na dificuldade que o projeto vai ter. Prova disso é que cada um dos tipos de dragão tem características, ataques e feições completamentediferentes uns dos outros, o que leva até a uma divertida piada com o personagem Melequento (Jonah Hill), que é o nerd do grupo, gordinho e estudioso, que decorou os pontos fortes e fracos de cada animal como cartas de RPG.

Já os humanos têm feições caricatas, sem a necessidade de serem realistas. O que é sempre um acerto – a não ser que se tenha o tempo, o dinheiro e o prestígio de um James Cameron, que pode se dar ao luxo de gastar todos estes itens até conseguir criar seu próprio mundo. E por falar em criar, não é difícil imaginar que a personagem Astrid (America Ferrara), que não existia no livro que deu origem à história, aparece aqui para tentar levar as meninas para ver um filme de aventura.

Não que eles precisassem disso. Como Treinar seu Dragão é a prova de que a DreamWorks Animation deveria abandonar de vez a história de Shrek - que há tempos já perdeu a graça – e investir em novas histórias. Voar mais alto. O risco do tombo pode ser maior, mas a sensação de liberdade e a vitória valem o preço.

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